André Giusti - foto: Luana Lleras
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Mariazinha perfeitinha

A funcionária pública se esmera em fazer parecer a todo mundo que é exemplar, mantém constante vigilância sobre a conduta dos outros e acha que a pessoa tem obrigação de estourar na vida até os 35 anos. “Veja o fulano! Tem 40 anos e ainda paga aluguel!” Como oposto do fracasso, gosta de tomar si [...]

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A funcionária pública se esmera em fazer parecer a todo mundo que é exemplar, mantém constante vigilância sobre a conduta dos outros e acha que a pessoa tem obrigação de estourar na vida até os 35 anos.

“Veja o fulano! Tem 40 anos e ainda paga aluguel!”

Como oposto do fracasso, gosta de tomar si própria como exemplo: funcionária efetiva e concursada do tribunal superior há mais de cinco anos. Isso, no seu entender, a coloca em degrau de diferenciação. Espalha aos quatro ventos que todos os chefes a requisitam para suas seções, embora ninguém jamé de never more tenha ouvido isso da boca de algum deles.

Pela sua teoria acerca da relação idade x sucesso, ela tem aí uns dois ou três anos de vantagem em relação ao limite, pois não aparenta passar dos 33.

Se o sujeito chegou aos 35 e não decolou, esquece – ela sentencia -, será medíocre e mediano até o fim dos dias.

Em dias de bom coração, chego no máximo a cultivar pena dessa moça. Boa casa, família, boa escola, universidade top, curso no exterior. Nunca foi ao chão, e temo que não esteja preparada para aqueles tombos dolorosos e inevitáveis que a vida nos dá a qualquer tempo, pode ser aos 20, aos 40, 50, e mesmo aos 35, e que o maior desafio depois não é “estourar”, e sim se reerguer e tentar continuar.

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