André Giusti - foto: Luana Lleras
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Mudar o alvo da estupidez

Não sou a favor de pichação e depredação a monumentos e prédios públicos, embora não entenda muito o escândalo que se faz quando isso acontece. Hipócrita, a sociedade não lembra que pouco ou quase nada se importou em ensinar aos jovens a importância de se preservar o que é público, de dizer que o público [...]

 Luiza Garonce/G1

Luiza Garonce/G1

Não sou a favor de pichação e depredação a monumentos e prédios públicos, embora não entenda muito o escândalo que se faz quando isso acontece.

Hipócrita, a sociedade não lembra que pouco ou quase nada se importou em ensinar aos jovens a importância de se preservar o que é público, de dizer que o público é de todos. Até porque, em tantos casos, ela própria acha que o público é particular, e no privado faz uso ilícito e imoral dele.

Fora isso, quando o público é uma praça, um parquinho infantil ou uma quadra de esportes abandonados e destruídos na periferia, não há clamor, muito menos indignação de contribuinte e cidadão.

Em todo o caso, se a tática é mesmo partir pra ignorância, que tal, por exemplo, se deixar de lado museus, ministérios e monumentos, e picharmos os muros, estilhaçarmos as vidraças da casa do deputado que desviou dinheiro da merenda?

Que tal virar de cabeça pra baixo o carro do senador que afanou o dinheiro do remédio de alto custo? O carro particular, e não o oficial, pago do nosso bolso. Que fique claro.

Que tal incendiarmos o jipão importado do executivo do banco que determina a cobrança extorsiva de juros e nos rouba cada vez mais com  taxas escorchantes criadas sempre a cada mês?

Por que não afundamos a lancha ou o iate – sob uma linda fogueira de óleo diesel – do diretor da companhia telefônica que manda a moça do telemarketing estar vendendo para nós 10 mega de internet, mas não nos entrega nem três?

Se a estratégia é mesmo a estupidez, acho que estamos atacando os alvos errados.

 

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