André Giusti - foto: Luana Lleras
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Muro (e trailer) branco pra quê?

Se eu morasse numa casa, gostaria que ela tivesse um muro branco. Justamente para não permanecer branco. Eu a ofereceria a algum artista de rua, como um adulto que entrega uma folha em branco para uma criança desenhar. Imagino-me síndico de um prédio com uma comprida e lisa fachada lateral. Convocaria assembleia extraordinária para tentar [...]

Asa Norte, Brasília, DF

Asa Norte, Brasília, DF

Se eu morasse numa casa, gostaria que ela tivesse um muro branco.

Justamente para não permanecer branco.

Eu a ofereceria a algum artista de rua, como um adulto que entrega uma folha em branco para uma criança desenhar.

Imagino-me síndico de um prédio com uma comprida e lisa fachada lateral. Convocaria assembleia extraordinária para tentar convencer os moradores a enfeitá-la com um grafismo de seis, sete andares. Certamente seria voto vencido. Algum vizinho mais racional diria que “se é para ocupar a fachada, que seja com propaganda de empresa de telefonia”, para que em troca ela bancasse as despesas do condomínio. Tem lá sua grande utilidade prática, não há como negar, exibir na parede do prédio uma modelo tentando te convencer que aquela operadora de celular é tão perfeita quanto ela, modelo.

Mas o grafismo também tem, embora esta utilidade não seja tangível nas contas do fim do mês.

Pois se você parar para pensar que esses desenhos que enfeitam a cidade cobrindo muros, tapumes e trailers – como é o caso da foto – descansam os olhos e esvaziam nosso pensamento sempre lotado de afazeres, compromissos e problemas, verá que eles têm lá sim muita serventia. Nem que seja para fazer com que o tempo do sinal fechado passe mais rápido.

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