André Giusti - foto: Luana Lleras
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Músicas para se ouvir domingo de manhã.

Chuva branda escorre na vidraça e o enfado suave desse movimento me lembra mulher – que não tenho – adormecida branca linda que também se move querendo retornar do abismo do sono intocável do silêncio da noite que ainda faz o quarto imenso. Da rua chegam os avisos tímidos da roxa cinza chumbo aurora de [...]

Chuva branda

escorre na vidraça

e o enfado suave

desse movimento

me lembra mulher

- que não tenho -

adormecida branca linda

que também se move

querendo retornar

do abismo

do sono intocável

do silêncio da noite

que ainda faz

o quarto imenso.

Da rua chegam

os avisos tímidos

da roxa cinza chumbo

aurora de figuras fugidias.

Corpo de mulher

nem santa nem devassa

apenas comum

semi-nua imagem

desvanecida se apagando

junto às últimas luzes.

Em outra manhã

de outro mundo

minha poesia acorda

amarrota lençóis

e transforma em luz

pássaros que abandonam

seus cabelos

e descobrem o sol.

1991.

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Comentário (1)

  1. Sócio -

    Quando a gente começa a desenterrar poesias fica claro que palavras não morrem

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