Notas de torcedor feliz

1 . Minha geração de torcedores do Flamengo conheceu a glória muito cedo.

Com apenas quatorze anos, eu já havia visto meu time ser campeão brasileiro duas vezes, da Libertadores e do Mundo.

Nossa referência de time de futebol era o Flamengo de Zico & Cia, e acabamos achando que aquilo era o normal.

Não era, e quando viramos adultos, descobrimos isso.

Estávamos nos anos 90/2000, com o Flamengo passando longe das grandes conquistas, ou perdendo, em pleno Maracanã, títulos que estavam na mão,  isso quando não nos fazia sentir a angústia da ameaça do rebaixamento, o que felizmente nunca aconteceu.

Enquanto o time se diminuía, por sua própria conta,  São Paulo, Palmeiras, Vasco, Cruzeiro e Corinthians iam papando os canecos, inclusive a Libertadores.

Se dez anos atrás um vidente aparecesse na minha frente e me dissesse que o Flamengo teria quatro títulos da Libertadores em 2025, eu o mandaria parar de beber.

E em apenas seis anos, ultrapassamos os principais vencedores brasileiros da Libertas.

Para quem, trinta anos atrás, achava que o Flamengo estava fadado a se afundar na mediocridade, esse tetracampeonato é muito mais valioso do que parece.

2. Em 2018, em um jogo entre Palmeiras e Cruzeiro, em São Paulo, a torcida palmeirense começou a cantar: “Ô, cruzeirense! Toma cuidado! O Bolsonaro vai matar viado!”.

Desculpem pôr o nome dessa pessoa nessas linhas, mas é para que a informação fique mais clara.

Não era uma parte da torcida, era um canto que tomava conta do estádio.

Depois disso, não tenho como não identificar o vice com o fascismo, até porque seu torcedor típico é quem, no geral, comunga das ideias do presidiário.

Desde então, para mim, vencer esse time se tornou também um ato político.

3. O Flamengo mora no menino que está em mim e que escolhi levar pra vida inteira.

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