André Giusti - foto: Luana Lleras
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Notas sobre o show do U2

A quem interessar possa: assisti duas vezes (5ª e sábado) aos shows do U2 que estão em São Paulo e tenho alguns pitacos. Vamos lá! 1 – O U2 é um monstro. Um monstro arrastador de multidões. E não vem a festivais por aqui simplesmente porque não cabe. Pegue uns cinco Lolas, some a uns [...]

O Globo

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A quem interessar possa: assisti duas vezes (5ª e sábado) aos shows do U2 que estão em São Paulo e tenho alguns pitacos. Vamos lá!

1 – O U2 é um monstro. Um monstro arrastador de multidões. E não vem a festivais por aqui simplesmente porque não cabe. Pegue uns cinco Lolas, some a uns três Rock in Rio e, quem sabe, dará a metade de um show do U2.

2 – De pista, é praticamente impossível ver a primeira parte do show (quatro músicas anteriores a Joshua Three). Isso porque algum gênio da engenharia de palcos fez esse braço do palco principal mais baixo. Mas a banda também deu a sua colaboração: esse começo de show não passa no telão. Imagino que eles tenham pretendido fazer com que nos sentíssemos em 1987, ano de lançamento de Joshua, quando, pela minha metade centenária memória, não havia telão nos shows.

3 – Bono Vox tá cantando (muito) diferente as músicas. É normal que ao vivo haja variações na melodia original, mas acho que ele tá exagerando. Já há alguns anos venho notando isso nas gravações ao vivo da minha segunda banda predileta (sim, só estão atrás dos Beatles) e nessa turnê no Brasil (aliás, em São Paulo) a coisa tá mais nítida. No sábado ele conseguiu cantar ainda mais diferente do que na quinta. Se a gente ama todas aquelas canções, amamos porque as conhecemos daquele jeito com que foram gravadas nos discos de vinil ou CD anos e anos atrás. Pra que mudar, cantar diferente, então? A não ser que sua bela voz já não seja realmente a mesma dos tempos da árvore de Joshua.

Sombras e Árvores Altas - blogger

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4 – Em 1997, ano da primeira turnê da banda no Brasil, pelo que me lembro o público era, basicamente, de gente solteira ou casal de namorados. 20 anos depois, a base da plateia é gente casada/divorciada/casada de novo levando os filhos adolescentes para assistir à banda mais importante de toda uma geração que chegou aos 50.

5 – E essa mesma geração cinquentona parece que aprendeu com os filhos a assistir a um show por trás das lentes dos celulares, filmando ou fotografando. Isso atrapalha demais a quem quer simplesmente assistir com os olhos. Que tal um Déjà vu e voltarmos a gravar apenas na nossa lembrança, na nossa memória a emoção e a beleza de um espetáculo?

Filmando U2

6 – Entre um show e outro, dei um pulo no Eataly, uma espécie de Guanabara dos ricos (cariocas entenderão). Vi três negros lá. Todos trabalhando. De que adianta ir ao show do U2, gritar contra o preconceito e a favor da igualdade se a gente não se revolta ou sequer percebe isso no meio do desbunde de um lugar como esse?

Negro

7 – Para os amigos do Uber: na volta do segundo show, sábado, quem me salvou em São Paulo foi o bom e velho táxi.

8 – O U2 é, a cada ano, mais e mais minha segunda banda predileta.

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