André Giusti - foto: Luana Lleras
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O estranho pais gourmet da fome e da miséria

Há cerca de um ano escrevi que nunca havia visto tantos moradores de rua em Brasília. Repito a frase nesta 1a quinzena de 2020, com uma única diferença: me parece que o número aumentou. Dias atrás estive em Tiradentes e três palavras me chamaram a atenção pela repetição contínua nas fachadas de bares e restaurantes: [...]

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Há cerca de um ano escrevi que nunca havia visto tantos moradores de rua em Brasília.

Repito a frase nesta 1a quinzena de 2020, com uma única diferença: me parece que o número aumentou.

Dias atrás estive em Tiradentes e três palavras me chamaram a atenção pela repetição contínua nas fachadas de bares e restaurantes: bistrô, gourmet e empório, onde o menu elenca molhos de frutas exóticas e ervas com nomes cada vez mais estranhos.

Neles, um prato individual não sai por menos de R$ 60, e a quantidade de comida já seria pouca se o preço fosse a metade.

Parece que começa a ficar difícil encontrar a comida básica, boa, simples, honesta, bem servida e de preço ao menos razoável.

O importante não é comer bem, mas comer com charme descolado e posar de adepto da inventividade culinária.

E toma-lhe de gente dormindo na rua, pedindo resto do bandejão ou do self service ralé

Estranho esse país que cada dia mais se gourmetiza e que ao mesmo tempo, miserável, morre ainda mais de fome.

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