André Giusti - foto: Luana Lleras
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O fim da 61 (e a longa noite da superficialidade)

O jornalista Adriano Oliveira postou na semana passada seu espanto frente à capacidade que as letras de músicas sertanejas possuem de se superar em matéria de imbecilidade. Para confirmar o que dizia, transcreveu duas frases, gesto que não repetirei para poupar quem me lê agora. No mesmo dia, recebo e-mail de outro jornalista, Hélio Doyle, [...]

O jornalista Adriano Oliveira postou na semana passada seu espanto frente à capacidade que as letras de músicas sertanejas possuem de se superar em matéria de imbecilidade. Para confirmar o que dizia, transcreveu duas frases, gesto que não repetirei para poupar quem me lê agora.

No mesmo dia, recebo e-mail de outro jornalista, Hélio Doyle, comunicando com pesar o encerramento da edição impressa da Revista 61.

Embora não pareça, as duas coisas estão correlacionadas.

A 61 foi uma tentativa refinada de discutir com inteligência, senso crítico e profundidade o dia a dia de Brasília. Matérias detalhadas e diferenciadas, fugindo do óbvio, eram arrumadas em uma edição preocupada em embalar com estética e bom gosto a informação de qualidade.

A revista foi além. Publicou contos e poemas (eu mesmo emplaquei dois contos em suas páginas). Que doideira, no dias de hoje, uma revista de assuntos gerais dar espaço à literatura!

E a 61 impressa está saindo de cena justamente por isso, porque ousou ser pertinente e conteudista em um país que há cerca de vinte anos, com a ascensão do que insistem em chamar de música sertaneja e de outros gêneros, optou pelo mau gosto, e que cada vez mais se aprimora na superficialidade.

A informação é de que a revista persistirá eletronicamente, quem sabe aguardando que termine a longa noite escura não apenas da música, mas da programação de TV, do humor e da imprensa sedada pela irrelevância.

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Comentário (1)

  1. Jusciane Matos -

    Como estudante de jornalismo, fiquei extremamente triste com o fim da versão impressa da revista que nos mostrava um espaço onde o jornalista podia ir além de dar a noticia apenas. Notícia encontramos em vários lugares.
    A 61, impressa, com sua identidade visual que nos convidava a ir além do texto, além das letras impressas. Ela nos convidava a mergulhar em suas páginas e refletir o que é ser jornalista e qual seu verdadeiro papel na sociedade.
    Eu e meus colegas de curso discutimos e sentimos muito por isso. Encontrávamos na revista uma luz no fim do túnel. Do túnel da superficialidade que é o jornalismo atual.

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