André Giusti - foto: Luana Lleras
voltar para o início do blog

O impacto da má fé

Levei meu carro no último sábado para trocar os pneus dianteiros. Preço bom, dividido em quatro vezes e cinco anos de garantia. Condição favorável para meu bolso. Tendo carro há quase 30 anos, a gente acaba escolado nas práticas desonestas do setor automotivo. Portanto, entrei preparado para o que ouviria dos mecânicos da Impacto Pneus [...]

Impacto

Levei meu carro no último sábado para trocar os pneus dianteiros. Preço bom, dividido em quatro vezes e cinco anos de garantia. Condição favorável para meu bolso.

Tendo carro há quase 30 anos, a gente acaba escolado nas práticas desonestas do setor automotivo. Portanto, entrei preparado para o que ouviria dos mecânicos da Impacto Pneus e Rodas, loja da 502 norte (perdoem-me os que não moram em Brasília pelo endereço).

Carro no elevador, lá no alto, e começa a cantilena: suas rodas estão empenadas, o pivô e o rolamento da roda direita traseira estão condenados. De quebra, pra juntar no pacote da picaretagem, descolaram um vazamento de óleo na hora da troca (o chão de minha garagem está limpinho, sem qualquer mancha).

Observe sempre nesses panfletos com promoção de pneus que a compra está condicionada à montagem, ao alinhamento de direção e ao balanceamento das rodas. E é aí, com os pneus desmontados, que a faca da malandragem entra na boa fé do cliente. Fragilizado, pego de surpresa, o consumidor autoriza o serviço. E sabe aquele bom negócio que você achou que estava fazendo comprando os pneus? Esqueça! Ele foi pulverizado com o gasto de um conserto que os mecânicos são obrigados a inventar, por ordem do patrão, e também porque, me disseram, recebem comissão pelo charlatanismo.

Como não autorizei a marmota, passei a ser tratado com mal humor. O sorriso com o qual o vendedor me atendeu desapareceu do nada.

Dois dias depois, levei meu carro na mecânica de uma seguradora que fica exatamente ao lado. Meu pedido foi: alinhar direção e balancear as rodas. Nada mais falei, apenas disse que voltaria depois do almoço para pegar o carro.

Quando cheguei, meu surrado Volkswagen estava lá, prontinho, me esperando. Perguntei se encontraram algum problema. Nada. O que havia para ser feito era apenas o que eu havia pedido.

O problema, a meu ver, sai das rodas do meu carro e alcança a conjuntura nacional. O empresário que age dessa forma com o consumidor é o mesmo que se jacta de gerar empregos e chora horrores por causa da carga tributária do país. Agindo como um Eduardo Cunha do mundo das rodas e pneus, ele vê o Jornal Nacional e fica roxo de raiva do deputado e do senador metido na falcatrua. Não vê que o macro só reflete o que se faz no micro.

Ah, e se você, dono da Impacto está lendo isso agora, um último recado. Sabe os dois pneus traseiros que fiquei de comprar aí mês que vem? Esquece.

Tags:

Gostou, compartilhe:

Comentários (0)

Deixe o seu comentário!