André Giusti - foto: Luana Lleras
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O Jesus autêntico de Frei Betto

O grande mérito de Um Homem Chamado Jesus é não ser um livro religioso, ainda mais se levarmos em conta que foi escrito por um padre. O que interessa a Frei Betto não é catequese, é o Jesus histórico, o que viveu entre e pelos pobres e os marginalizados, tornando-se o maior vulto, se não [...]

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O grande mérito de Um Homem Chamado Jesus é não ser um livro religioso, ainda mais se levarmos em conta que foi escrito por um padre.

O que interessa a Frei Betto não é catequese, é o Jesus histórico, o que viveu entre e pelos pobres e os marginalizados, tornando-se o maior vulto, se não da humanidade, mas ao menos da história ocidental.

O Jesus de Frei Betto, que, creio com minha fé cristã, é o autêntico, morreu pelo motivo simples de se opor à hipocrisia da falsa moralidade, em que leis, rituais, dinheiro e poder estavam acima da vida humana.

Não teria fim diferente na atualidade em certo país do hemisfério sul, onde milhões que se dizem seus seguidores copiam a hipocrisia que imperava em Jerusalém 21 séculos atrás.

Outro detalhe interessante do Jesus descrito por Frei Betto é a figura extremamente humana de alguém a que se atribui divindade.

Nas páginas de Frei Betto, Jesus se alegra, se chateia, sente tédio, chega a se irritar, gosta de festa e é um bom garfo (come bastante carne, inclusive).

A diferença é sua moderação, seu equilíbrio, sua sabedoria, sua coerência entre o que dizia e o que fazia e, acima de tudo, seus extremos amor e misericórdia para com o próximo.

Era isso que o levava à divindade, a mesma que ele dizia que poderíamos alcançar, mas que, por ora, dela nos mantemos (bem) distantes.

Com um texto elegante, objetivo, claro e bem escrito, Frei Betto acaba evangelizando, mas com literatura de qualidade.

Apenas dois pontos me decepcionaram.

O primeiro é a manutenção da versão bíblica de que Jesus não nasceu de uma concepção normal, como nascem as pessoas de carne e osso, como ele era.

E o segundo é o papel totalmente secundário de Maria Madalena, que praticamente não aparece na obra (menos mal que na história ela não é uma prostituta arrependida).

Mas tudo bem. Frei Betto, em que pese toda sua visão progressista e humanitária, é um padre.

A divindade é do personagem principal de seu livro.

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