André Giusti - foto: Luana Lleras
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O mecânico e o ministro do STF

A primeira vista nada há de comum entre um mecânico e um ministro do Supremo Tribunal Federal. O que os liga é a impossibilidade de argumentar com eles sobre o ofício que exercem. Não conheço de mecânica, menos ainda sei avaliar a consistência ou a falta de provas para incriminar alguém. Se um sujeito com [...]

A primeira vista nada há de comum entre um mecânico e um ministro do Supremo Tribunal Federal.

O que os liga é a impossibilidade de argumentar com eles sobre o ofício que exercem.

Não conheço de mecânica, menos ainda sei avaliar a consistência ou a falta de provas para incriminar alguém.

Se um sujeito com o macacão e as mãos sujas de graxa me diz que preciso trocar determinada peça inclusive para a minha segurança, não tenho como contestá-lo. E mesmo que ele me mostre a peça e eu tenha a nítida impressão de que ela está nova em folha, não terei base técnica para dizer que ele está errado e quer me passar a perna. Posso até não querer trocá-la, mas aí assumirei o risco que existe na hipótese de ele estar correto. E sendo honesto.

Se um ministro do STF, de conhecimento aprumado pelos longos anos da prática jurídica, diz que alguém é inocente por que não há provas contra, que poder possuo eu, cidadão, eleitor, contribuinte, de contestá-lo?

Não posso discutir com um mecânico nem com um ministro do STF pela simples ausência de embasamento.

Mas posso ficar desconfiado do que dizem.

E no caso do mecânico, procurar outro.

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Comentários (2)

  1. Denise Giusti -

    Muito boa André a sua comparação. Não podemos avaliar, só ficamos mesmo desconfiados. Órimo texto.

  2. Rodrigo Santos -

    Pensei nisso sobre a decisão do ministro Lewandowski de absolver o deputado João Paulo Cunha. Acho que todos ficamos desconfiados, mas ele é o mecânico.

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