André Giusti - foto: Luana Lleras
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O óbvio e o ridículo no jornalismo

Essa história de um grande jornal ter matado o Suassuna antes da hora me lembrou duas histórias de redação. A primeira aconteceu na Rádio Globo do Rio de Janeiro. Boato de que gente famosa morreu é algo corriqueiro nas redações. Um desses foi sobre a cantora Sandra de Sá, à época apenas Sandra Sá. A [...]

Essa história de um grande jornal ter matado o Suassuna antes da hora me lembrou duas histórias de redação.

A primeira aconteceu na Rádio Globo do Rio de Janeiro.

Boato de que gente famosa morreu é algo corriqueiro nas redações. Um desses foi sobre a cantora Sandra de Sá, à época apenas Sandra Sá.

A informação de que ela havia batido a cassuleta chegou e ninguém conseguia confirmar.

Ermelinda Rita, ao lado de Ricardo Ferreira, a melhor apuradora com quem trabalhei, foi prática: ligou pra casa da cantora. Caiu na secretária eletrônica, mas ela não se fez de rogada. “Ô Sandra, é o seguinte, aqui é da Rádio Globo é tá o maior papo de que você morreu. Liga pra gente.” Não deu cinco minutos e o telefone tocou, do outro lado o jeito esculachado: “Minha filha, que porra é essa de que eu morri?”.

A outra foi na saudosa JB AM. Fim de domingo, começa o zum zum zum de que um ministro – não lembro qual – abraçara o Zé Maria. Antônio Ribeiro, um dos meus mestres em reportagem de rádio, fez a mesma coisa: “Ministro, desculpa a hora, mas há um boato de que o senhor morreu…”. Rápida pausa antes da resposta: “Bem, parece que não, né, meu filho?”

Como em tudo na vida, às vezes no jornalismo é preciso fazer o óbvio e até mesmo passar pelo ridículo.

Ridículo

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