André Giusti - foto: Luana Lleras
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O Pior do Brasil é o Brasileiro

O slogan O Melhor do Brasil é o Brasileiro foi criado alguns anos atrás por uma campanha que envolveu veículos de comunicação e afins. A meu ver, um grande equívoco. O brasileiro médio, principalmente este, de cultura universitária e de classe média, é sujeito apegado a valores e a crenças que não o deixam enxergar [...]

Pandemia

O slogan O Melhor do Brasil é o Brasileiro foi criado alguns anos atrás por uma campanha que envolveu veículos de comunicação e afins.

A meu ver, um grande equívoco.

O brasileiro médio, principalmente este, de cultura universitária e de classe média, é sujeito apegado a valores e a crenças que não o deixam enxergar além do seu pequeno grande quintal, ou além do para-brisa da sua SUV financiada ou seu grande Jipe importado.

Ele faz de sua verdade e sua crença, adquiridas sem qualquer vivência, a lei que quer fazer prevalecer acima da ciência, da história, da geografia, da filosofia.

Acreditar que nada acontece a quem se joga no esgoto nesse país é apenas um dos emblemas de quem anda pelo mundo feito um cavalo com tapadeiras, justamente para não ter visão periférica, panorâmica, e olhar apenas em uma direção.

Soube de um velho (e neste caso chamo de velho por causa de seu comportamento) que se recusou a usar máscara nessa pandemia.

Descia pro boteco como se nada estivesse acontecendo no mundo.

Adoeceu e em duas semanas entrou para a estatística dos mortos pelo Covid.

Levou junto a esposa e uma das filhas, legando aos dois filhos que se salvaram uma família despedaçada.

Para mim, não há outra classificação possível para esse sujeito: agir dessa forma, tendo à disposição toda a informação que há sobre a doença, é atitude de homicida doloso, ou seja, aquele que tem a intenção de matar.

É o típico cidadão que opera na humanidade de acordo com sua convicção formada provavelmente a partir de lendas e crendices.

Acrescente-se a isso um tanto de egoísmo e individualismo e chego ao caso da professora da conceituada escola de classe média de Brasília.

Ela comunica à sua personal trainer (ela tem uma, afinal, ela é chique) que não quer mais aula on-line, quer voltar pra academia fechada no ar condicionado (um paiol de vírus) porque “essa coisa de pandemia já encheu o saco”, e ela e as amigas estão saindo, se vendo, indo aos bares, aos cafés, aproveitando a vida com o que ela tem de melhor, afinal “todo mundo vai ter que morrer mesmo”. Inclusive a personal que, coitada, tá sem grana e não tem como abdicar de dar aula para a dondoca egocêntrica.

Como é possível que caia a curva de contágio dessa e de qualquer outra doença do gênero?

Enquanto outros países já começam a lutar contra uma 2ª onda da doença, a gente se debate ainda na 1ª, com boa parte da população (e o desgoverno, claro) vivendo no planeta faz-de-conta.

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