André Giusti - foto: Luana Lleras
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O que ainda falta escutar dos Beatles.

Quando a discografia dos Beatles foi relançada recentemente em estéreo remasterizado, muitos fãs de longa data da banda mostraram-se céticos e até amargos, rotulando a novidade como apenas mais uma jogada da indústria fonográfica para ganhar mais dinheiro em cima do maior fenômeno musical e mercadológico de todos os tempos. Confesso que não me rendi [...]

Quando a discografia dos Beatles foi relançada recentemente em estéreo remasterizado, muitos fãs de longa data da banda mostraram-se céticos e até amargos, rotulando a novidade como apenas mais uma jogada da indústria fonográfica para ganhar mais dinheiro em cima do maior fenômeno musical e mercadológico de todos os tempos.

Confesso que não me rendi de imediato à curiosidade de saber o que eu, que ouço Beatles desde que me entendo por gente, ainda poderia ouvir de novo dos quatro. Tive vários dos CD`s nas mãos, achei caro, não me seduzi pelo belo aspecto gráfico. Deixei pra lá.

Até que Guilherme Guedes, baterista da banda Lafusa, de Brasília, me disse que conseguiu lá fora um pen drive com todos os discos remasterizados em estéreo. Confiei a ele, aprendiz de feiticeiro na redação da BandNews FM, um de meus maiores tesouros: meu Ipod, e ele descarregou no meu aparelhinho as novas gravações.

Não há dúvida: se você é betleamaníaco, vale a pena ajudar a encher ainda mais de dinheiro a burra de Paul, Ringo e das viúvas e herdeiros e John e George.

Outro companheiro meu de trabalho, o crítico Rodrigo Leitão, proclamava em plena redação que essas gravações revelaram ao mundo uma banda que não conhecíamos, que somente agora veríamos realmente o que os caras, junto com George Martin, haviam feito quase 50 anos atrás.

Não vou tão longe no entusiasmo, mas garanto: há muita diferença entre as gravações que chegaram dos Beatles ao Brasil (principalmente as que foram passadas para CD nos anos 80/90) e essas remasterizadas em estéreo. Até ouvidos moucos como os meus conseguem perceber detalhes escondidos antes desse trato que deram às canções mais importantes da história do Rock`n Roll.

Prestando atenção, você ouvirá, principalmente nos quatro ou cinco primeiros discos, que o violão, por exemplo, em determinada música ganha mais corpo. Em Help, é possível notar sem muito esforço a batida de John nas cordas de uma forma mais candenciada, mais “blusera”, mais lenta, que segundo reza a lenda era como ele queria que a canção houvesse sido gravada.

O instrumento que mais saiu ganhando nessa revitalização das gravações dos Beatles certamente foi a bateria. As novas técnicas de estúdio realçaram principalmente os pratos e o bumbo, e encorparam os contra-tempos e viradas. Se ainda restava alguma dúvida, a remasterização esclareceu tudo: Ringo Star era um senhor “batera” sim, que inovou muito e sem presepada, ainda mais se pensarmos que ele batia dessa forma quase meio século atrás.

Mas a grande diferença, e isso é o que realmente vale em comprar os CDs ou adquirir as gravações, é que os instrumentos e as vozes ganharam não apenas força, mas personalidade ainda maior. Dá para ouvir quem canta, quem faz coro e o que está sendo tocado com muito mais nitidez, e perceber a importância de cada um desses elementos no todo de cada gravação. Em algumas músicas de Please please me, essa nitidez chega ao requinte de deixar bem clara a respiração de John, e de nos apresentar o até agora desconhecido eco de gravação de algumas canções, efeito posto na época pelos técnicos de propósito, como um quê a mais.

As gravações remasterizadas em estéreo são o que podemos chamar de a segunda parte de uma reapresentação da obra dos Beatles ao mundo, principalmente às gerações mais novas. Isso começou nos anos 90 com a série Anthology (documentário, CDs e livro) e prossegue agora também com as versões originais em mono dos discos e o game Guitar Hero. Aliando tudo isso à genialidade dos quatro, é certo que a humanidade, da mesma forma que hoje ouve Mozart e Beethoven, estará ouvindo Beatles daqui a 200 anos.

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Comentários (4)

  1. André Giusti Autor do post -

    Você tem razão, eles foram mesmo a primeira Boy Band, meio inconscientemente, para entrarem no mercado. Quando ao resto…abs.

  2. André Giusti Autor do post -

    Obrigado, Herivelto. Beatles 4ever.

  3. Herivelto Gabriel -

    Com “músico” de horas vagas sempre ouvi Beatles, tenho toda discografia no meu ipod, estou muito curioso para ouvir essa remasterização, mas como você colocou bem, não estou disposto a enriquecer mais ainda os vivos e os herdeiros. Ótimo Post !

  4. giovani iemini -

    cara, sempre achei o iéiéié dos beatles muito chato. só depois é que percebi: eles foram a primeira BOYBAND, com rostinhos juvenis e discursos fáceis.
    nunca fez a minha.

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