André Giusti - foto: Luana Lleras
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O que eu quis dizer sobre Chico Buarque

Escrevi na rede social algumas poucas palavras sobre a música nova do Chico Buarque, e acho que fui mal-entendido por alguns. Mas acho também que a culpa foi minha. Relendo, vi que não primei pela clareza. Eu não quis dizer que a música é ruim, e nem podia, porque na verdade eu não a escutei. [...]

Escrevi na rede social algumas poucas palavras sobre a música nova do Chico Buarque, e acho que fui mal-entendido por alguns. Mas acho também que a culpa foi minha. Relendo, vi que não primei pela clareza.

Eu não quis dizer que a música é ruim, e nem podia, porque na verdade eu não a escutei.

E não escutei porque Chico Buarque não me interessa, nem nunca me interessou.

Reconheço seu valor, mas sua música não me representa, usando uma expressão (ainda) em moda. Nem a dele, nem a dos outros medalhões da MPB.

(É sim perfeitamente possível reconhecermos valor num artista, mas não gostarmos de sua obra).

Chico

Mas meu gosto não é o objeto da discussão, até porque ele só interessa a mim.

Eu quis falar sobre pessoas que, na minha pacata observação, se obrigaram a dizer que gostaram da música só porque ela é do Chico Buarque, como se fosse uma ofensa aos direitos humanos dizer o contrário.

Ao mesmo tempo, constatei pessoas quase se desculpando justamente porque não gostaram. Como se fosse uma ofensa não gostar de uma canção de um ícone da MPB.

Sou beatlemaníaco e sempre achei que parte da força que os Beatles têm até hoje deve-se ao fato de que se separaram no auge, quando eram perfeitos como banda.

Na carreira solo, John Lennon (o meu preferido) não manteve a mesma pegada que tinha no quarteto.

Paul continuou fantástico, mas só até o início dos anos 80. Depois, oscilou – mais por baixo do que por cima.

George, igualmente fantástico logo após a separação, fez grandes discos depois, mas da mesma forma sem o peso dos álbuns ao lado dos outros três.

Então, sem traumas, sem crises, vamos olhar de frente nossos ídolos e entender que são de carne e osso, inerentes ao auge e ao declínio criativo.

Se você realmente gostou da música nova do Chico – sendo ou não fã dele -, ótimo! Diga isso e a cante aos quatro ventos.

Se não gostou, não force a amizade dizendo que a música é ótima simplesmente porque tem medo ou vergonha do nariz torcido de uma certa patrulha que acha que detém a ciência do bom gosto.

Era, enfim, isso o que eu queria dizer.

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