André Giusti - foto: Luana Lleras
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O teria e o suposto

A pressa com que o jornalismo é feito serve de desculpa para muitos erros que nem sempre – ou quase nunca – são corrigidos, ou corrigidos de forma que os prejuízos provocados pela gafe sejam recuperados. Mas desconfio que não se possa pôr apenas na conta da pressa a opção pelo “jornalismo do teria e [...]

A pressa com que o jornalismo é feito serve de desculpa para muitos erros que nem sempre – ou quase nunca – são corrigidos, ou corrigidos de forma que os prejuízos provocados pela gafe sejam recuperados.

Mas desconfio que não se possa pôr apenas na conta da pressa a opção pelo “jornalismo do teria e do suposto”. As duas palavras empesteiam os textos jornalísticos há alguns bons anos sem preferência por veículos. Invadem as páginas, as ondas do rádio e as telas, tanto de nossas TVs quanto de nossos computadores. E também não credito isso tão somente à pobreza vocabular de profissionais que não sabem escrever sem usar outras palavras sobre uma falcatrua não confirmada ou um fato ainda incerto.

Hoje em dia, se Antônio liga para uma redação dizendo que tem uma denúncia “cabeluda” contra Armando, se dá a ele ouvidos e crédito, mesmo que em momento algum Antônio apresente nada de concreto ou documentado provando o que diz saber sobre o outro. Quanto a este, consegue apresentar sua defesa muitas vezes – e às vezes não – na correria de um fechamento ou na histeria de um noticiário prestes a entrar no ar. Mas nada que receba acuidade no tratamento, rigor e cuidado na verificação dos fatos, levantamento de informações que comprovem ou desmintam aquilo que pode jogar na lama a reputação de uma pessoa.

Em tempos normais, isso ocorre pelo afã de dar a notícia em primeira mão, sair na frente do concorrente, correria típica da profissão, cujo combustível na atualidade é muitas vezes a falta de experiência dos jornalistas, inclusive nos cargos de chefia.

Isso em tempos normais.

Em época de eleição, parece que outros fatores andam a alimentar o “jornalismo do teria e do suposto”.

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Comentários (2)

  1. Raquel Madeira -

    Também queria saber porque o verbo continuar foi banido definitivamente e substituído pelo seguir?

  2. RC -

    O pior mesmo é quando isso se alia à falta de lógica, como em “O suposto criminoso entrou na casa…”

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