André Giusti - foto: Luana Lleras
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Onze do Nove

P/ Alexandre Carolli, que estava a meu lado naquele dia.   Quem acordou naquela manhã e foi trabalhar normalmente não poderia imaginar que se tratava do dia de inauguração da chamada Nova Ordem Mundial. E continuei sem me atinar para isso mesmo quando o segundo avião atingiu uma das torres. Eu era coordenador de jornalismo [...]

P/ Alexandre Carolli, que estava a meu lado naquele dia.

 

Quem acordou naquela manhã e foi trabalhar normalmente não poderia imaginar que se tratava do dia de inauguração da chamada Nova Ordem Mundial.

E continuei sem me atinar para isso mesmo quando o segundo avião atingiu uma das torres. Eu era coordenador de jornalismo da Rádio CBN no Rio e estava em uma reunião de pauta, quando os jornalistas decidem o que será noticiado ao longo do dia.

Meu primeiro trabalho foi convencer aos outros reponsáveis pela rede CBN que a progranação normal deveria ser imediatamente interrompida para que a cobertura fosse toda dedicada ao que acontecia em Nova York, mesmo que se tratasse apenas de um improvável acidente aéreo.

O resto daquela terça-feira passou como se estivéssemos correndo em um túnel escuro, barulhento, enfumaçado, no qual não havia como parar de correr, voltar, caminhar mais devagar. A urgência da notícia nos fez ir, de forma quase irrefletida, até à noite sem comer, movidos a café, esquecidos de nós mesmos e entregues àquilo que à época era nossa paixão: informar.

Já desconfiado de que dera minha contribuição para a documentação da história mundial, voltei para casa bem tarde, com a sensação amarga de que o mundo, a humanidade e a possibilidade do amor estavam por um fio. Provavelmente foi a mesma sensação que tiveram os da geração anterior, que viram a Alemanha invadir a Polônia.

Hoje, sacramentado que existe há uma década um novo ordenamento no planeta, minha angústia, passado esse tempo, é um tanto diferente: assusta muito mais por perceber que esses dez anos passaram quase tão rápido quanto as duas torres foram ao chão. 

 

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Comentários (3)

  1. André Giusti Autor do post -

    Correto, Cláudia. Mesmo que injustificável, o atentado às Torres Gêmeas se iguala em estupidez à história das “intervenções” americanas “em nome” da liberdade.

  2. Raymundo Jr. -

    Amigo André,
    Acho que aquele atentado absurdo foi contra a humanidade! Sinceramente, me senti atingido por aquilo, como se tivesse um parente ali! Subi naquelas torres duas vezes e pude contemplar muitas coisas especiais. Lastimo profundamente tudo que aconteceu! Infelizmente, ao longo da história da humanidade nos deparamos com “seres” que, obviamente, não podem ser comparados e tratados como humanos! Nada, nada justifica isto!
    Covardes, malucos, irracionais, coléricos e etc.
    Forte abraço,
    Raymundo Jr.
    Asa Norte

  3. Cláudia Navegantes -

    É mesmo, esses dez anos passaram muito rápido e o mundo parece que não mudou nada!
    Há dez anos estava de resguardo com meu bebê… e vi tudo pela TV. Horrível!
    Embora, outro 11 de setembro não tão noticiado, tenha sido até pior do que este! Em 1973, no Chile. Os militares tomaram o poder e mais de 40 mil foram mortos.
    Enfim, quando vamos poder ter paz neste mundo?!

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