Para falar de amor e ditadura


Não há nenhuma novidade em dizer que conhecer o passado nos faz agir no presente para que ele não se repita no futuro.

Isso se aplica desde nossa vida pessoal até o Brasil deste ano de eleições em que o retrocesso ameaça mais uma vez a sociedade brasileira.

O livro O Grande Amor de Nossas Vidas, do escritor baiano Ivan Sérgio Santos, é uma história de amor cujo maior mote é o passado cruel desse país durante vinte e um anos do século vinte.

Na história de um trio amoroso vivido por um guerrilheiro, uma estilista e um jornalista quase não há flores, noites românticas ou momentos de incendiar a cama.

As páginas atravessam, de maneira dolorida, pungente e revoltante, a destruição de uma família, a clandestinidade e o pior dos monstros dos anos de chumbo: a tortura  e suas irreparáveis sequelas, como o alcoolismo.

E quando a tortura entra na história, Ivan Sérgio Santos usa a imbecilidade e a estupidez da ditadura, incapaz, muitas vezes, de acertar de fato seus alvos, para reservar uma grande surpresa ao leitor.

O Grande Amor de Nossas Vidas, premiado pela Biblioteca Nacional / Funarte, é uma bem narrada história que é bem mais do que uma história de amor, é um grande recado, um aviso, um alerta de que a barbárie do passado assunta de novo, perigosamente e com o ódio que lhe é peculiar, o presente e o futuro do país.

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