André Giusti - foto: Luana Lleras
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Pelo que me disseram.

A Beija-flor não fez um grande desfile. Como não entendo patavina de carnaval, acabo acreditando que o terceiro lugar foi mais do que lucro para a escola que homenageou os cinquenta anos de Brasília, e que para isso levou R$ 3 milhões dos cofres públicos. Li e ouvi dos entendidos que, entre outros pecados, a [...]

A Beija-flor não fez um grande desfile. Como não entendo patavina de carnaval, acabo acreditando que o terceiro lugar foi mais do que lucro para a escola que homenageou os cinquenta anos de Brasília, e que para isso levou R$ 3 milhões dos cofres públicos.

Li e ouvi dos entendidos que, entre outros pecados, a escola pisou no acelerador nos últimos minutos de desfile, que houve gente quase correndo para chegar à Praça da Apoteose cumprindo o prazo estipulado pela ditadura da cronometragem.

Mas pelo que me disseram, ruim mesmo foi o desenvolvimento do enredo.

Quem mora em Brasília convive diariamente com a história da construção da cidade. Apesar de meio século já ter se passado, boa parte dos pioneiros, dos candangos, está viva, transita entre nós contando os casos da fundação, e são muitas vezes nossos vizinhos. Seus filhos foram nossos colegas de escola, muitos trabalham conosco. Não raro, nós mesmos somos filhos de pioneiros. Ou seja, a história de Brasília é uma senhora forte, ativa, que anda pela cidade cumprimentando a todos, lembrando esse ou aquele fato por onde passa.

E pelo que me disseram, não foi essa a história – a dos candangos, dos pioneiros – levada à avenida pela Beija-flor. Contar a influência das pirâmides do Egito na arquitetura da cidade, ou mesmo falar do papel do Anhanguera no desbravamento do Planalto Central, são tópicos importantes, mas que não deveriam ofuscar, no desfile, a história de Brasília que ouvimos na padaria, no churrasco de fim-de-semana. É como se ao contar a história do Rio de Janeiro, determinada escola se preocupasse mais em falar sobre Estácio de Sá, por exemplo, deixando de lado o nascimento da Bossa Nova e relegando a segundo plano a Garota de Ipanema.

Ouvi também falarem mal do boneco de fibra representando JK. O jornalista Fernando Molica explica em seu blog que a fibra é péssimo material para tentar reproduzir a figura humana, a não ser que a intenção seja a caricatura. Mas parece que não era. O objetivo foi mesmo levar para a Sapucaí uma espécie de busto alegórico do Juscelino.

Mas o pior de tudo – também me contaram – é que o boneco acabou ficando a cara do Arruda.

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