André Giusti - foto: Luana Lleras
voltar para o início do blog

Pouca coisa também ajuda

Para Jr.   De repente surgiu uma vaga no estacionamento principal daquela grande repartição pública em Brasília. É que uma funcionária da seção fora transferida, e era ela quem tinha o direito de pôr o carro lá, uma área coberta no sub-solo do prédio. O outro estacionamento não era coberto. Portanto, sujeito à chuva que [...]

Para Jr.

 

De repente surgiu uma vaga no estacionamento principal daquela grande repartição pública em Brasília. É que uma funcionária da seção fora transferida, e era ela quem tinha o direito de pôr o carro lá, uma área coberta no sub-solo do prédio.

O outro estacionamento não era coberto. Portanto, sujeito à chuva que encharca a cidade em metade do ano, e ao sol causticante da seca em outra metade. Além do mais, ficava em outra rua, não tinha o conforto do elevador perto. Fora o agravante: depois de certa hora, ficava mais cheio que estacionamento de shopping em semana de natal.

Pelo critério da importância do cargo, a vaga deveria ficar com aquele sujeito, que inclusive tornara-se agora o mais antigo da seção. Quando quisesse, poderia parar o carro no estacionamento coberto, informou o chefe.

Mas ele declinou de sua prerrogativa. Deixa pra fulana. No horário em que ela entra, quase nunca tem vaga do outro lado. Como chego mais cedo, não tenho problema para estacionar.

                             * 

Para melhorar o mundo, você não precisa necessariamente se embrenhar na África tentando salvar as doze milhões de pessoas que morrerão de fome por lá.

Se não for possível abrir uma instituição e tirar da rua todos os miseráveis, tudo bem.

Pequenos gestos de gentileza, de fraternidade, que não fazem eco, que muitas vezes se encerram na brevidade de um segundo, também podem tornar melhor a vida de alguém.

E melhorar a vida do próximo é, sem dúvida, a melhor maneira de melhorar o mundo. 

 

Tags:

Gostou, compartilhe:

Comentários (4)

  1. Denise Giusti -

    É André, temos que começar pelas pequenas coisas, para mais tarde quem sabe podermos fazer as grandes. Essas são vistas por Deus e também pelas pessoas que estão ao nosso redor, é o exemplo! Que tal dar um bom dia para o motorista e trocador ao entrar no ônibus, ou para o gari que varre a rua, às vezes essas pessoas nos parecem invisíveis, e fácil muitas atitudes podemos mudar, usar as as palavras mágicas, conhecem? (por favor, obrigada, etc) começando a usá-las em nossa casa. no trabalho, é isso, como sempre muito bom o texto, parabéns!

  2. Raymundo Jr. -

    Gentileza talvez seja o que mais falta no mundo! Tomara que esta pessoa nem tenha percebido o seu gesto! O pior que já aconteceu na minha geração foi a tal da “Lei de Gerson”! Para compensar este absurdo, que o nosso canhotinha de 70 protagonizou, o que foi uma pena, recomendo a todos um bom filme: “A Corrente do Bem”
    Parabens amigo André pelos seus textos!
    abraço
    Raymundo Jr.
    Asa Norte

  3. Henrique -

    Lindo.

  4. Maria Livia -

    É isso mesmo André, nem sempre conseguimos fazer as grandes coisas porque às vezes não temos tempo, às vezes não temos dinheiro ; mas fazer as PEQUENAS coisas como olhar as necessidades do nosso próximo e cuidar para que os que estão à nossa volta tenham uma vida um pouco melhor, faz toda a diferença. O mundo pode ficar bem melhor.
    Beijos, André.

Deixe o seu comentário!