André Giusti - foto: Luana Lleras
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Qual o sentido?

Quando olhei, o sujeito do carro ao lado almoçava enquanto o sinal estava fechado. E ele era o motorista. Simples assim: almoçava enquanto o sinal estava fechado. Quando abriu, naturalmente ele pôs o pequeno prato de plástico no banco do carona, engatou a primeira e saiu com o carro. No próximo sinal fechado, continuaria almoçando. [...]

Quando olhei, o sujeito do carro ao lado almoçava enquanto o sinal estava fechado. E ele era o motorista.

Simples assim: almoçava enquanto o sinal estava fechado.

Quando abriu, naturalmente ele pôs o pequeno prato de plástico no banco do carona, engatou a primeira e saiu com o carro. No próximo sinal fechado, continuaria almoçando.

Eu, que ainda não havia comido nada, me perguntei qual a necessidade daquilo. Será que quando mostramos ao mundo que não nos importamos nem mesmo conosco, passamos a imagem de que somos mais eficientes, mais produtivos?

E produzir em nome de quê? Para quem?

Fomentar, às expensas de nossa saúde, o tal do PIB que nunca nos traz, verdadeiramente, a justiça social, mas apenas dados de ingresso de tais e tais no mercado consumidor?

Enriquecer quem? Os mesmos que enriquecem, sem dividir, há mais de 500 anos?

Não falo de uma ou outra ocasião. Todo mundo, algum dia, precisou almoçar pão de queijo e coca-cola enquanto dirigia. Falo de um modo de vida doente, que há algum tempo a sociedade decidiu (em nome de que interesses?) adotar como normal e eficiente, como se querer almoçar sossegado e sem tanta pressa fosse coisa de vagabundo.

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