André Giusti - foto: Luana Lleras
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Rádio das histórias deliciosas

Comecei a trabalhar em rádio em 1987, aos 19 anos, 26 anos atrás, portanto. E para espanto e escândalo, nunca sei se hoje, 25 de setembro, é dia do rádio ou do radialista. E como no momento em que digito essas linhas estou com problema na internet e não consigo acessar o google, vou levar [...]

Comecei a trabalhar em rádio em 1987, aos 19 anos, 26 anos atrás, portanto. E para espanto e escândalo, nunca sei se hoje, 25 de setembro, é dia do rádio ou do radialista. E como no momento em que digito essas linhas estou com problema na internet e não consigo acessar o google, vou levar a dúvida para vocês. Mas se fosse apostar, arriscaria a primeira opção, dia do rádio.

Acho que nenhum veículo de comunicação possui histórias tão divertidas.

Meu saudoso colega Paulo Donizetti foi um excelente locutor noticiarista e colecionador de casos ocorridos nos estúdios das emissoras Brasil afora. Um de seus preferidos aconteceu em Varginha.

Era domingo, final de tarde, e o locutor estava há mais de seis horas trabalhando e trancado no estúdio. Lá pelas tantas, o operador de áudio soltou a vinheta para informar tempo e temperatura do momento. O locutor, aquele bem padrão AM, voz de trovão, não titubeou: “

-Neste momento, em Varginha, o tempo é bom…

Mas foi imediatamente interrompido pelos gestos enlouquecidos do operador, que do outro lado do vidro gesticulava e mexia os lábios:

-Que bom o quê, sô! Tá doido? Tá chovendo é pra caralho!

O locutor, mestre na arte de se livrar de saias justas, imprescindível quando se trabalha em rádio, não se fez de rogado:

-Sim, tempo bom…bom para você ficar em casa, debaixo das cobertas, curtindo nossa programação!

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Outra história eu vivi na carne. Ou melhor, no ouvido.

Houve um tempo em que os repórteres da CBN encerravam toda e qualquer intervenção com o lendário slogan “CBN, a rádio que toca notícia”. Eu era repórter e cobria uma manifestação tumultuada no centro do Rio. De repente, os manifestantes resolveram fechar a rua. Trânsito parando, polícia chegando, aquele bafafá, e eu, ao vivo, no celular, descrevendo tudo. Empolgado, encerrei o boletim confirmando a informação: os manifestantes decidiram fechar a rua. Mas o que seria um final apoteótico, virou piada. Errei feio na assinatura: CBN , a rádio que toca na RUA.

No estúdio, o âncora era Marcus Aurélio, minha referência de apresentador de rádio e grão-mor na arte de se livrar de saias justas. Ele não deixou a bola cair, bateu de primeira.

-Sim, André Giusti! Toca na rua, em casa, no trabalho, no táxi, em qualquer lugar a CBN toca.

Parabéns a todos nós que amamos o rádio e vivemos a delícia dessas histórias.

Microfone

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