André Giusti - foto: Luana Lleras
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Rede social, preconceito e discriminação em tempo real

Sou um cara nascido e criado no subúrbio carioca, reduto bem conservador e preconceituoso, embora a imagem fanfarrona propalada pelas novelas – e que realmente existe na vida real – leve a crer que não. No subúrbio, brancos e negros convivem, mas não é incomum você ouvir que “fulano é um preto de alma branca”, [...]

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Sou um cara nascido e criado no subúrbio carioca, reduto bem conservador e preconceituoso, embora a imagem fanfarrona propalada pelas novelas – e que realmente existe na vida real – leve a crer que não.

No subúrbio, brancos e negros convivem, mas não é incomum você ouvir que “fulano é um preto de alma branca”, com aquele tom atenuante, como se cor de pele fosse crime ou definisse caráter, hombridade.

Não tenho lembranças de, aonde nasci, um casamento entre um negro e uma branca, ou uma negra e um branco, ser tomado como fato totalmente comum. Sempre há alguma, ou várias caras de espanto, para não dizer viradas em expressões de mal disfarçada desaprovação.

Fora isso há sempre uns – ou muitos – se referindo de forma pejorativa ao “filho da desquitada”, ao neném posto no mundo “por aquela safadinha que deu antes do casamento” ou àquele “rapaz afeminado, aquela bichinha, que tanto desgosto dá ao pai”.

E isso não é uma particularidade do subúrbio do Rio de Janeiro. A discriminação, no Brasil, é como a própria beleza natural do país: abrange toda sua geografia.

Para quem ainda estranha tanta manifestação racista, homofóbica e machista na rede social, gostaria de lembrar que feici búqui e companhia apenas mostram com amplitude e em tempo real o que os nichos geográficos – tais como meu subúrbio – sempre guardaram em seus domínios.

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