André Giusti - foto: Luana Lleras
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Se é verdade mesmo essa história do Dunga com a TV Globo

Entrevistas exclusivas devem mesmo ser objetos de cobiça de jornalistas. Ser o único a arrancar informações e declarações de uma autoridade ou personalidade, faz o repórter ficar nas nuvens, pelo menos até o dia seguinte, quando voltará a seu estado normal, que é o de pânico permanente em ser furado pelo colega que trabalha no [...]

Entrevistas exclusivas devem mesmo ser objetos de cobiça de jornalistas. Ser o único a arrancar informações e declarações de uma autoridade ou personalidade, faz o repórter ficar nas nuvens, pelo menos até o dia seguinte, quando voltará a seu estado normal, que é o de pânico permanente em ser furado pelo colega que trabalha no veículo concorrente.

Tentar conseguir a informação exclusiva faz parte da regra do jornalismo, e todo jornalista é preparado não apenas para se empenhar nessa tarefa, mas também para reconhecer o mérito do colega que consegue sozinho e de forma lícita aquilo que todo o resto da imprensa busca desesperadamente, em muitas ocasiões durante meses.

Uma coisa é isso, a exclusividade e o furo conseguidos com o empenho pessoal do repórter que é perspicaz, insistente, não se dá por vencido, convence pelo argumento inteligente o interlocutor a lhe dar a informação ou a entrevista. Ou as duas, de preferência.

Outra coisa é a promiscuidade institucional, quando a informação preciosa é conseguida por causa dos interesses – nem sempre nobres – que irmanam duas instituições, entre elas uma empresa de comunicação.

Ao longo da vida profissional, presenciei diversas vezes o tratamento privilegiado que dispensam as autoridades a determinados veículos, tratamento casado, é claro, com o desprezo pelos outros órgãos de imprensa. Já vi entrevistas coletivas serem atrasadas em mais de uma hora, porque a equipe de determinada emissora não conseguiu chegar no horário marcado. Não é raro assessorias de imprensa de secretarias de governo segurarem informação que toda a imprensa quer, até que certo telejornal vá ao ar. Tudo para que essa mesma informação não seja divulgada antes por outros órgãos de imprensa.

É claro que respeito e educação devem reger qualquer relação humana, entre elas a de entrevistado e repórteres. Xingamentos são inaceitáveis, caso de se ir à Justiça, sei lá. Mas depois de vinte e tantos anos correndo atrás de notícia, até acho bom quando um antipático e mal encarado resolve dar um tranco e trazer um pouco de decência nessa coisa complicada que é lidar com jornalista.

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Comentários (5)

  1. Carlos Oliveira -

    É, caro André, desde quando perceberam que a notícia seria um produto, o qual poderia gerar grandes lucros a empresários e alguns empregos, a briga pela notícia tornou-se irracional. Como selvagens brigando pela última caça do pedaço.

  2. MARCOS OLIVEIRA -

    Perfeito, no ponto, lúcido, André!

  3. Cristina -

    Concordo que educação cabe em qualquer lugar, mas somente somos capazes de dar aquilo que recebemos, e ultimamente nosso técnico só tem levado coice.

  4. Socio -

    Nos últimos dias ( e quando digo isto me refiro a tempos longos) pressinto uma imprensa distante de pesquisas e torcendo por catástrofes.

  5. Daniel Cancelier (Brasilia - DF) -

    Parece ser um dos comentários mais lúcidos e equilibrados a respeito… visto ser de um funci da Band (rival da Globo) e não-simpatizante do Dunga.
    Gostei !

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