André Giusti - foto: Luana Lleras
voltar para o início do blog

Sheik, pronto para a idolatria

A mídia precisa fabricar ídolos. É uma das maneiras de se cativar a audiência, elemento imprescindível para chamar anunciantes, razão maior do faturamento de emissoras, jornais e revistas. Se o possível ídolo não tem talento, capricha-se na produção focando uma característica que possa tornar-se marcante para as grandes plateias e arrastar multidões. Se possui algum [...]

A mídia precisa fabricar ídolos. É uma das maneiras de se cativar a audiência, elemento imprescindível para chamar anunciantes, razão maior do faturamento de emissoras, jornais e revistas.

Se o possível ídolo não tem talento, capricha-se na produção focando uma característica que possa tornar-se marcante para as grandes plateias e arrastar multidões.

Se possui algum talento, tanto melhor: mostra-se esse talento bem maior do que realmente é. Se for possível, torna-se esse ídolo uma espécie de semideus infalível.

Parece-me, no entanto, que às vezes o departamento de seleção de ídolos dos meios de comunicação é acometido por certa miopia.

Há cerca de dois anos, e com maior intensidade de um ano para cá, somos massacrados com a obrigação de acharmos que Neymar é – ou será – o maior jogador do mundo. O problema é que a enfraquecer o bombardeio midiático liderado pela TV Globo estão os próprios fatos. Anulado ou anulando-se na hora em que precisou justificar todo o alarde em torno do seu nome, no conceito da audiência, Neymar só consolida mesmo a teima pelo penteado exótico.

Ao passo que o jovem santista não foi este ano para o Santos e muito menos para a Seleção o que a mídia assegurava que ele seria, outro jogador, que  a mesma mídia não cogita como ídolo, mostra-se o herói que o futebol fabrica naturalmente, sem produção ou marketing.

Emerson, o Sheik, apareceu quando seu time precisou dele, uma delas, inclusive, contra o Santos de Neymar. Aliás, ontem, Emerson fez o que havia feito pelo Fluminense em 2010: colocou a bola nas redes e deu o título ao time.

Pode ser que até a Copa Neymar acabe se tornando o que a TV Globo precisa que ele seja, trazendo a reboque Paulo Henrique Ganso, candidato a coadjuvante nessa pretensa dupla de super-heróis, mas que, da mesma forma, até aqui não passou de expectativa.

Porque hoje o produto acabado e pronto para a idolatria chama-se Emerson.

Tags:

Gostou, compartilhe:

Comentário (1)

  1. raymundo Jr. -

    Também acho amigo, o Emerson Sheik é um ótimo jogador e no meu Fluminense fez a diferença.
    Sobre o Neymar, acho que foi um grande erro manter este jogador no Brasil, ou seja, não adianta jogar bem só nos campeonatos brasileiros e enfrentar marcações fracas. Na copa ele enfrentará outro tipo de marcação e não terá a experiência necessária para superar isto. Espero estar errado!
    Abraço
    Raymundo Jr.

Deixe o seu comentário!