André Giusti - foto: Luana Lleras
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Sobre crítica de cinema

O senso comum pode produzir conclusões frágeis, que não se sustentam quando examinadas por uma análise apenas pouco mais criteriosa. O que é consenso, pode ser falácia, e segue prevalecendo mesmo que uma contracorrente o tenha desmascarado, porque tornou-se justamente isto: aquilo que todo mundo pensa. Mas permeia a cabeça do brasileiro médio uma concordância [...]

O senso comum pode produzir conclusões frágeis, que não se sustentam quando examinadas por uma análise apenas pouco mais criteriosa. O que é consenso, pode ser falácia, e segue prevalecendo mesmo que uma contracorrente o tenha desmascarado, porque tornou-se justamente isto: aquilo que todo mundo pensa.

Mas permeia a cabeça do brasileiro médio uma concordância geral sobre um determinado assunto na qual enxergo razão consistente. É a que diz respeito à crítica cinematográfica.

Se o jornal diz que o filme é bom, não perca tempo nem dinheiro. E vice-versa. É o que recomenda o senso desse brasileiro médio, sujeito de bom nível cultural, mas distante das rodas da intelectualidade.

E o conselho tem mesmo seu fundo de verdade.

Este ano a crítica me fez perder duas vezes dinheiro com ingresso de cinema.

Bem impressionado pelo prêmio no Festival de Cannes e pelos elogios que o classificam no mínimo como obra prima, assisti a um dos filmes mais monótonos e entediantes dos últimos tempos.

A árvore da vida joga no lixo uma bela história ao optar discutir Deus e religiosidade inserindo sequências intermináveis de imagens exaustivas no meio do conflito dos personagens. Cansado, louco para ir embora, mas sem coragem de sair no meio do filme, o sujeito sentado diante da telona acaba não enxergando conexão entre a trama e o devaneio do diretor Terrence Malick. E não há Brad Pitt ou Sean Penn que faça valer o tempo (longo, são quase duas horas meia) e o dinheiro gastos.

A outra oportunidade que perdi de fazer outro programa foi quando assisti a Um homem que grita.

Classificado como poesia pelos críticos, o filme é outra ode à monotonia, com o agravante da atuação ruim dos atores e da péssima fotografia, que ao menos se salva no caso de A árvore da vida.

Às vezes é de se acreditar que existe mesmo uma relação contrária de forças entre crítica e público, com a primeira se esforçando para contrariar o segundo. Ou algo maior que a vocação para ser espírito de porco: o prazer de escrever para que milhares sintam-se imbecis e ignorantes, porque não compreendem a genialidade do diretor que só ele, crítico, conseguiu.

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Comentários (4)

  1. Denise Giusti -

    Foi bom ver sua opinião sobre o filme Árvore da Vida, ia atravessar o túnel para ver, só está levando na Zona Sul, como somos parecidos em se tratando de filmes, nem irei arriscar. Corncordo contigo em relação as críticas, leio, mas não as sigo, uso minhas preferênicas e bom senso, funciona na maioria das vezes.

  2. Diego Iraheta -

    Apesar da sua defesa contundente de não acreditar nas críticas, eu continuo interessado em assistir à Árvore da Vida. Será que vou concordar com vc ou com a crítica?!

  3. André Giusti Autor do post -

    Ah, o velho Braga, meu mestre, minha referência de poesia. É demais para mim.

  4. Henrique -

    A terra dos críticos é estranha. Aliás é m pedaço de terra cercada de (outras) opiniões por todos os lados. Eles deteem, o que Marilena Chaui chama de “discurso competente”. Ou seja escrevem com competência sobre alguma coisa que não merece nosso deslocamento seja físico ou cerebral.
    Rapaz parece que estou lendo o velho Braga. Arrisca na crônica.

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