André Giusti - foto: Luana Lleras
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Sobre lançar e vender livros para amigos e leitores

Após vinte anos publicando livros, aprendi algumas pequenas coisas. Duas delas reparto aqui, porque talvez sejam úteis para uma meia dúzia de três ou quatro que começam a se arriscar no mesmo caminho. A primeira é sobre a noite autógrafos. Aprenda que aquela pessoa que não foi ao lançamento dificilmente comprará seu livro depois. Não [...]

Acervo particular

Acervo particular

Após vinte anos publicando livros, aprendi algumas pequenas coisas.

Duas delas reparto aqui, porque talvez sejam úteis para uma meia dúzia de três ou quatro que começam a se arriscar no mesmo caminho.

A primeira é sobre a noite autógrafos.

Aprenda que aquela pessoa que não foi ao lançamento dificilmente comprará seu livro depois.

Não nutra esperanças no caso da velha promessa: “ah, eu não vou poder ir, mas quero comprar depois, e autografado”.

Esse tipo de pessoa até existe, mas não lota um fiat mille. E se o livro for de poesia, elas cabem numa moto.

A outra coisa é pensar em ter leitores, e não compradores de livros.

Portanto, dispense do desembolso aquele seu grande parceiro, que te adora, que você adora, mas que o último livro que ele leu foi no segundo ano da faculdade. E mesmo assim no resumo.

É sério, não queira vender livros por amizade, isso não terá o efeito que você esperava quando abdicou parte de sua vida para ficar na frente de um computador. O único efeito será o numérico.

Tenho grandes amigos, e mesmo parentes que considero, que jamais leram uma única linha que escrevi nesses mais de trinta anos de ofício.

Não deixaram de ser meus amigos, e jamais deixarão. Não por isso.

Agora, tenho leitores com quem provavelmente nunca me sentarei numa mesa de bar.

Mas que são uma das razões do meu trabalho.

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