André Giusti - foto: Luana Lleras
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Sobre psicologia e o dia do psicólogo

Sempre olhei com desdém a psicologia e com desconfiança os psicólogos. Na minha limitada cabeça de homem classe média nascido no subúrbio do Rio, terapia era coisa de madame mal comida de Ipanema e Leblon. Quando pintava alguma neura, eu ia pro bar encher a cara com os parceiros de fé. Até que as quatro paredes [...]

Sempre olhei com desdém a psicologia e com desconfiança os psicólogos.

Na minha limitada cabeça de homem classe média nascido no subúrbio do Rio, terapia era coisa de madame mal comida de Ipanema e Leblon.

Quando pintava alguma neura, eu ia pro bar encher a cara com os parceiros de fé.

Até que as quatro paredes do meu mundo desabaram. O teto veio junto e o chão desapareceu sob meus pés.

Faltaram amigos, fé e todos os bares fecharam.

Chorando, bati à porta de um consultório.

É difícil olhar nos olhos a dor de ser o que somos e que não deveríamos ser, para o nosso próprio bem.

Mas é assim que vencemos a nós mesmos: nos olhando nos olhos, sem desviar.

E isso a terapia tem me ensinado, embora eu não seja mágico a ponto de já ter conseguido da noite para o dia e totalmente. Mas estou me esforçando, e, a cada dia, consigo me olhar de frente um pouco mais.

Assim como os poetas, os palhaços, os músicos, pintores, artistas que jogam malabares nos sinais, assim como as crianças, os psicólogos ajudam a humanidade a manter ao menos os níveis mínimos e toleráveis de sanidade mental.

Parabéns pelo dia de hoje!

psis

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