
Esteve em cartaz recentemente, em algumas salas de Brasília e cidades satélites, a peça Antes que ela chegue, um monólogo conduzido com delicadeza e sentimento à flor da pele pela atriz Paula Passos, que há alguns anos me deu a alegria de declamar um poema meu nesses recitais da vida.
O texto é do escritor Geraldo Lima, de quem li cerca de um mês atrás o romance Quem foi que soltou os cavalos no campo de trevas ?, publicado pela Editora Patuá, que merece leitura atenta e a oferece de modo prazeroso.
Mas o lance aqui é a peça, com o texto do Geraldo e a interpretação da Paula.
Em pouco menos de uma hora, os dois levam ao público uma tocante história de família, que tem como pivôs duas irmãs, sendo que a narradora é a única que aparece, até porque se trata de um monólogo.

Em meio a produções cada vez mais politizadas e embandeiradas (o que não é ruim, de modo algum, apenas cansativo em alguns momentos), o espetáculo descerra as cortinas das relações familiares e como os reflexos delas podem se arrastar, prejudicar e até mesmo anular vidas inteiras.
Em um mundo movido pelo ódio e pela ganância, que lança mísseis sobre escolas e hospitais, Antes que ela chegue mostra que a inveja, a mágoa e o rancor podem nos fazer estar permanentemente em guerra conosco e com o mundo a nossa volta, nos matando pouco a pouco e mais e mais a cada dia.
A peça pode ter nova temporada no segundo semestre. Se tiver, não perca.

Que grata surpresa, André! Que maravilha de análise. Muito obrigado pela presença, e, agora, por esse texto que abre janelas de compreensão sobre o a peça e sua montagem. Abraço, meu amigo!
André, que grata surpresa! Que maravilha de análise. Muito obrigado pela presença e, agora, por esse texto que abre mais uma janela de compreensão sobre a peça e sua montagem. Abraço, meu amigo!!