André Giusti - foto: Luana Lleras
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Totens do absurdo.

A Justiça do Distrito Federal quer instalar nos presídios dispositivos eletrônicos que permitam aos presos terem acesso às informações sobre as penas que cumprem. A idéia, já aplicada no presídio feminino, é que o preso aperte as teclas dos equipamentos, que já estão sendo chamados de totens, e fique sabendo logo quanto tempo de xilindró [...]

A Justiça do Distrito Federal quer instalar nos presídios dispositivos eletrônicos que permitam aos presos terem acesso às informações sobre as penas que cumprem.

A idéia, já aplicada no presídio feminino, é que o preso aperte as teclas dos equipamentos, que já estão sendo chamados de totens, e fique sabendo logo quanto tempo de xilindró ele ainda tem pela frente. Vai servir também para que ele descubra se terá direito à liberdade assistida, redução da pena e outras benesses do nosso sistema penal.

O mesmo sistema penal que deixa, em milhares de casos, o preso vendo o sol nascer quadrado mais tempo do que deveria. Parece que não há controle da Justiça, nas chamadas varas de execuções penais, de quem já cumpriu a pena e pode sair da cadeia, tentar refazer a vida lutando contra preconceito da sociedade. São milhares que continuam atrás das grades, empilhados como se fossem sacos de cimento em celas com 200 e capacidade para 20. Mas agora terão à disposição os tais totens, essa palavra da moda, entre tantas outras.

Não sei, mas às vezes as coisas no Brasil me lembram o sujeito cuja sala de casa tem infiltração nas paredes descascadas, não há sofá para sentar e a única poltrona está com o forro todo rasgado.

Mas o cara pega e compra uma TV de plasma.

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Comentários (2)

  1. Fátima -

    É preciso lembrar que alguém tem que manter os dados atualizados no sistema para que eles tenham as informações reais. Que haja estrutura pra isso!

  2. Sócio -

    Não vou comentar tanto. Só queria dizer que sou professor de escola pública. Querem por que querem dar computador para todo mundo. Mas não há professores. Querem por que querem cartão cibernético. Mas não tem carteiras. Quem sabe não colocam um totem desses nas escolas e dispensam os professores!?

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