André Giusti - foto: Luana Lleras
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Uma potência festiva

É claro que foi emocionante ver a judoca brasileira com a medalha de ouro no peito, muito menos por patriotismo do que pelo histórico de luta e preconceitos que essa moça já sofreu. Em que pese a ajuda do governo para que ela pudesse se recuperar do fracasso em Londres, em 2012, e faturar o [...]

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É claro que foi emocionante ver a judoca brasileira com a medalha de ouro no peito, muito menos por patriotismo do que pelo histórico de luta e preconceitos que essa moça já sofreu.

Em que pese a ajuda do governo para que ela pudesse se recuperar do fracasso em Londres, em 2012, e faturar o ouro este ano, é triste constatar que o Brasil, como Estado, perdeu a oportunidade, ao sediar os jogos olímpicos, de finalmente criar uma cultura olímpica.

Quando o Rio foi anunciado cidade sede, imaginei todas as escolas com quadras, piscinas e pistas de atletismo, pequenos canteiros a germinar sementinhas de potência esportiva.

Bem, também imaginei a Baía de Guanabara despoluída, item que aparecia com destaque na lista do tal legado olímpico, peça publicitária para que a sociedade apoiasse a candidatura do Rio.

O que de concreto até agora me parece existir são obras faraônicas e super faturadas (este nosso legado rotineiro) e um total de medalhas para o Brasil que, acho, não será muito diferente das outras olimpíadas, quando o esforço pessoal de cada atleta pesou sempre mais do que qualquer política pública.

Aos que ainda se ufanam pela beleza da solenidade de abertura e chegam mesmo a achar que ela foi uma espécie de resgate do país perante o mundo, lembro que o Brasil sempre foi muito bom para fazer festa.

Eu disse festa.

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Comentário (1)

  1. Ana Maria -

    Curtindo sua lucidez e seu texto…

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