André Giusti - foto: Luana Lleras
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Voo.

Para F.F.   Quando foi teu último copo d’água? O que você deixou pro final no café da manhã? Que roupa você usava antes do último banho? Você chegou a almoçar pela última vez? A última vez que você pegou em dinheiro Teu último bom dia Quem, derradeiramente, te deu passagem no elevador? Se eu [...]

Para F.F.

 

Quando foi teu último copo d’água?

O que você deixou pro final no café da manhã?

Que roupa você usava antes do último banho?

Você chegou a almoçar pela última vez?

A última vez que você pegou em dinheiro

Teu último bom dia

Quem, derradeiramente, te deu passagem no elevador?

Se eu houvesse te encontrado e reparado em teus olhos desesperadamente silenciosos,

notado que teu rosto era quase um outro

como se praticamente já não fosse mais o teu…

Quem sabe, talvez.

26.5.2010

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Comentários (3)

  1. Hortência Guedes -

    Versos belos e reflexivos! Por que sempre essa pressa? Os detalhes não são mais sentidos… O olhar, o abraço, a palavra! O tempo segue rápido e nós sempre correndo tentando acompanhá-lo.

  2. Liziane -

    Lindo, André. Também me fiz estas perguntas. E se tivesse encontrado, e se tivesse falado, e se tivesse percebido…beijo.

  3. Fátima -

    A pressa e o atropelo de nossos sonhos nos fazem “perder” o momento que não deveria ter passado tão imperceptível. São detalhes que poderiam ter feito uma grande diferença, seja numa escolha ou num planejamento. Paz!

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