
Comecei a escrever na virada dos treze para os quatorze anos.
Devido à rusticidade de meus primeiros poemas, é mais apropriado dizer que eu “rascunhava coisas” nos cadernos.
Intuitivamente, no entanto, eu sabia que estava aprendendo a escrever.
Nada mais verdadeiro: eu aprendi a escrever escrevendo.
Os poetas, contistas, cronistas e romancistas que lia naqueles primeiros anos (muitos ainda leio) foram responsáveis pela primeira forja do autor que sou hoje, quarenta e três anos depois.
Naqueles tempos não havia (ou ao menos não se falava) oficina literária ou oficina de criação.
Nossas oficinas eram escrever e ler, ler e escrever.
Não tenho o que falar das oficinas, até porque nunca fiz nenhuma, mas me chama a atenção a quantidade delas sendo oferecidas nas redes sociais. Parece cursinho para concurso público.
Não conheço praticamente nenhum dos ministrantes (desculpa o substantivo esquisito, mas muitos dizem que vão “ministrar” uma oficina). O que escreveram? O que escrevem? O que publicaram? Por onde publicaram? E, também, que livros leram? Que autores fazem parte de sua formação de leitores?

Outro dia, não sei quem em uma rede social chamava a atenção para uma certa pasteurização na maneira de escrever de alguns autores contemporâneos, de como alguns livros se assemelham, parecendo repetir uma estrutura erguida e mantida por equações e fórmulas vestidas de literatura.
E aí sinto dizer a quem anda por aí anunciando oficina literária, ou de criação, que literatura não é para ser igual.
É justamente para ser diferente e fazer a diferença no mundo.

Nada contra esses cursos, mas fico imaginando a reação que um Grande Sertão provocaria em certos mestres…
Conheci uma primeira oficina de texto nos anos 1990, oferecida pela Clã do Jabuti, um grupo de São Paulo. Nem sei se existe mais. Adorei participar, pois eram, na verdade, aulas de criatividade. Mas também tenho achado estranho essa profusão de cursinhos preparatórios para se tornar escritor. O risco real é de uniformizar a literatura e excluir quem não está entrosado nesse esquema de treinamento.
A verdadeira oficina deve mostrar os caminhos já existentes e apresentar novos caminhos. Vale o já dito. Faça-o novo.