
Esteve em cartaz recentemente, em algumas salas de Brasília e cidades satélites, a peça Antes que ela chegue, um monólogo conduzido com delicadeza e sentimento à flor da pele pela atriz Paula Passos, que há alguns anos me deu a alegria de declamar um poema meu nesses recitais da vida.
O texto é do escritor Geraldo Lima, de quem li cerca de um mês atrás o romance Quem foi que soltou os cavalos no campo de trevas ?, publicado pela Editora Patuá, que merece leitura atenta e a oferece de modo prazeroso.
Mas o lance aqui é a peça, com o texto do Geraldo e a interpretação da Paula.
Em pouco menos de uma hora, os dois levam ao público uma tocante história de família, que tem como pivôs duas irmãs, sendo que a narradora é a única que aparece, até porque se trata de um monólogo.

Em meio a produções cada vez mais politizadas e embandeiradas (o que não é ruim, de modo algum, apenas cansativo em alguns momentos), o espetáculo descerra as cortinas das relações familiares e como os reflexos delas podem se arrastar, prejudicar e até mesmo anular vidas inteiras.
Em um mundo movido pelo ódio e pela ganância, que lança mísseis sobre escolas e hospitais, Antes que ela chegue mostra que a inveja, a mágoa e o rancor podem nos fazer estar permanentemente em guerra conosco e com o mundo a nossa volta, nos matando pouco a pouco e mais e mais a cada dia.
A peça pode ter nova temporada no segundo semestre. Se tiver, não perca.
