André Giusti - foto: Luana Lleras
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Sobre se importar com quem se ama e preço da long neck

John Lennon contou certa vez, em uma entrevista, que quando compôs Help, um dos maiores hits da banda, ele estava realmente desesperado e precisando de ajuda. Era por volta de 1964, e com o mundo aos pés dos Beatles, cercando-os de glamour, era difícil imaginar que um deles não estivesse bem e realmente pedisse socorro, [...]

John Lennon contou certa vez, em uma entrevista, que quando compôs Help, um dos maiores hits da banda, ele estava realmente desesperado e precisando de ajuda. Era por volta de 1964, e com o mundo aos pés dos Beatles, cercando-os de glamour, era difícil imaginar que um deles não estivesse bem e realmente pedisse socorro, ao contrário do que a letra, aparentemente pueril, possa sugerir.

Esta semana, conversando com uma amiga, ela, que tem no amparo ao semelhante uma de suas características não apenas pessoal, mas também profissional, me confessou que as pessoas não perguntam como ela vai, se está precisando de alguma coisa, se a vida anda mesmo bem como aparenta. E ela não falava de qualquer pessoa, falava das mais chegadas, daquelas que formam o chamado círculo íntimo.

Acontece com quem vive de dar o braço para ajudar o outro a caminhar, e que, quando está mal, fica sem jeito ou graça de pedir que também lhe estendam o braço. Então, o mundo, mesmo que próximo, segue ao redor como se nada houvesse de anormal.

O mesmo se dá com aquelas pessoas que primam pelas chamadas atitudes positivas perante a vida. Principalmente em épocas de redes sociais com lindas fotos de crianças sorridentes, gatinhos limpinhos e paisagens paradisíacas ilustrando frases de força, fé e esperança, é difícil saber se uma pessoa, às vezes de algum modo próxima a nós, está realmente bem.

Por isso, se você tem alguém bem chegado, de quem goste muito, e essa pessoa é o tipo “consoladora a toda hora” ou aquele “iluminado pelo otimismo”, de vez em quando dê uma checada se tudo realmente está correndo bem. Mas faça isso com o coração, com sinceridade nos olhos, querendo saber se tudo está mesmo ok como aparenta. Isso pode significar, para quem você gosta, a passagem da tristeza para a alegria. Ou, em casos extremos, a diferença entre a vida e a morte.

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Recentemente, donos de restaurantes de Brasília distribuíram quentinhas na hora do almoço à população na rodoviária da cidade em protesto contra a alta carga tributária e os encargos trabalhistas que encarecem o preço final dos pratos que eles servem nos estabelecimentos. Muito justo. Mas será que é isso que justifica que um restaurante de Brasília cobre R$ 8,00 por uma cerveja long neck que no supermercado custa  R$ 2,65? Isso se chama carga tributária, encargo trabalhista ou se chama ganância?

PS: Nesta 2ª feira, dia 26, entram no ar meu novo site e meu novo blog, neste mesmo endereço.

PS2: De terça, 27, a sexta, 30, participo da Bienal de Literatura e Poesia do Açougue Cultural T-Bone, na 312 Norte, em Brasília, quando lançarei também meu 5º livro – História de pai, memórias de filho – e a 2ª edição de Voando pela noite (Até de manhã) – meu primeiro livro. Vejo vocês lá!

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