André Giusti - foto: Luana Lleras
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A desnecessidade de tanto trabalho

A semana com este feriado no meio me faz novamente pensar que temos trabalhado demais, e cada vez mais com menos necessidade. Li na rede social dias atrás que um estudo sei lá onde propõe que o fim de semana tenha três dias. Acho que três dias seguidos enferrujariam a pessoa, e o tranco da [...]

ronaldonezo.com

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A semana com este feriado no meio me faz novamente pensar que temos trabalhado demais, e cada vez mais com menos necessidade.

Li na rede social dias atrás que um estudo sei lá onde propõe que o fim de semana tenha três dias.

Acho que três dias seguidos enferrujariam a pessoa, e o tranco da volta ao batente seria pior do que é hoje, ou seja, a terça feira seria pior do que é a segunda.

Então, flanar sábado e domingo, encarar o trampo segunda e terça e dar outra pausa, menor, na quarta talvez fosse ótima saída para a produtividade e pra nossa saúde física e mental.

Descansados, produzimos mais, ficamos menos doentes, faltamos menos ao serviço, paramos menos dias para nos tratar. Acho que entra até alguma coisa de lógica econômica nessa história, com o patrão ganhando mais, proporcionalmente. Sei lá.

Só sei que nosso tempo no ambiente de trabalho é excessivo, querem de nós não apenas o que não podemos dar, mas também o que não é necessário.

O que é feito em dez, doze horas de trabalho que não pode ser feito em dois turnos de seis horas, com duas equipes, uma da metade da manhã à metade da tarde, e a outra a partir daí e até a metade da noite?

Penso que mais da metade das reuniões inúteis a que comparecemos deixaria de existir, e os projetos, que muitas vezes ficam parados porque um de nós, exaurido, foi parar no estaleiro e está a base de antidepressivo, ganhariam objetividade na aplicação e rapidez na execução, além de doses maiores de criatividade, por causa das mentes repousadas.

A sociedade de consumo, por meio da mídia, seu braço de propaganda, vende a ideia de que o mundo bom é o que produz bens de consumo. Um país em crise precisa, segundo especialistas, aumentar a produção e as vendas. E aí somos pessoas vazias, infelizes, de carro zero e celular último modelo.

O que precisamos é que nossas relações pessoais ocupem mais tempo em nossas vidas do que nossa network. Além do convívio com os nossos – sejam quais forem esses nossos –, em algum momento precisaremos também ficar com nós mesmos, naquela solidão sem compromisso com horários, irmã da paz de espírito.

Por isso, menos horas de trabalho durante o dia. Menos dias de trabalho durante a semana.

Poderá não ser tão bom para o PIB, que na verdade desde sempre só alimenta quem mais tem, sempre teve e quer mais.

Mas será ótimo para a nossa saúde mental, familiar e social.

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