André Giusti - foto: Luana Lleras
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Dezembro e o peso das perdas

Acho que com o passar do tempo essas festas de fim de ano vão perdendo o brilho e a graça. Há um determinado momento da vida, que não sei precisar qual, em que começamos a ter dificuldade de respirar os tais ares de esperança trazidos pelo fim de ano. Talvez sejam as perdas as responsáveis [...]

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Acho que com o passar do tempo essas festas de fim de ano vão perdendo o brilho e a graça.

Há um determinado momento da vida, que não sei precisar qual, em que começamos a ter dificuldade de respirar os tais ares de esperança trazidos pelo fim de ano.

Talvez sejam as perdas as responsáveis por isso.

Afinal, é muito pai e mãe que morre na vida da gente (às vezes, filhos também), é muito amigo querido há anos morando longe, é muito divórcio, muito namoro feliz que acabou de repente.

E por mais que haja reposição de peça (netos, novos amigos e amores) as perdas se acumulam e parece que passam o ano todo esperando para pesarem ainda mais em dezembro, no meio de tanta rua cheia, de tanta loja entupida, de tanta confraternização forçada, de tanta caridade feita como convenção e satisfação à sociedade.

Então, depois de uma certa idade, quando chega dezembro, no fundo o que a gente quer mesmo é que janeiro comece logo, despachando pra longe essa irritante obrigação de estarmos felizes e esperançosos.

Ps1: Essa caridade anual, com data marcada pra dezembro, também me cansa.

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