André Giusti - foto: Luana Lleras
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Ler e rir

Ao longo de três dias comecei e parei três livros (três romances). Cheguei, no máximo, à página 50. E desisti. Como para mim ler é quem nem remédio de pressão para hipertenso – não passo um dia sem -, deixei um pouco de lado a dedicação dos últimos tempos aos autores contemporâneos e me socorri [...]

Ao longo de três dias comecei e parei três livros (três romances).

Cheguei, no máximo, à página 50. E desisti.

Como para mim ler é quem nem remédio de pressão para hipertenso – não passo um dia sem -, deixei um pouco de lado a dedicação dos últimos tempos aos autores contemporâneos e me socorri dos consagrados.

Deu certo mais uma vez, agora com Bukowsky (Veríssimo, Rosa, Machado, Fernando Sabino, John Fante já me prestaram socorro em outras ocasiões).

Pulp

Pulp, o último livro do autor, que morreu em 1994, estava na fila da minha estante há quase dois anos, intocado.

Comecei a menos de 24 horas, não cheguei à página 50 e já asseguro que é uma das melhores e mais divertidas obras desse alemão criado nos Estados Unidos e um dos maiores críticos do american way of life, mesmo que pareça não ter tido em momento algum a real intenção de sê-lo.

Os personagens de Bukowsky acentuam o lado escatológico das pessoas, o que no lugar de causar repulsa, os aproxima do leitor (ao menos os que não se acham acima das necessidades humanas); tomam porres homéricos e vivem se envolvendo em encrencas por causa da dívidas de jogo.

Mas o que me ganha é que contam tudo isso – e outro tanto mais – de maneira extramente divertida, engraçada (Pulp já me arrancou três ou quatro risadas maravilhosas), algo do que tenho sentido falta em autores contemporâneos, a maioria nacionais.

Não obstante a qualidade (muitos do que li são muito bons, até já citei por aqui), me parece que falta a capacidade de fazer o leitor rir, rir de chamar a atenção de quem está do lado, seja pela escatologia e pelo sarcasmo (caso de Bukowsky, por exemplo), seja pelo inusitado das situações (como Fernando Sabino em O Grande Mentecapto, para citar um clássico).

Tenho lido muita coisa boa que bate forte no racismo, no machismo, na desigualdade social, por exemplo, que fala de relações familiares difíceis, quando não doentias.

Tudo fundamental nos dias de hoje.

Mas é também fundamental uma boa risada, até por causa de todas essas mazelas e misérias sobre as quais precisamos escrever e ler, para que sejam combatidas.

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