André Giusti - foto: Luana Lleras
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Outra vez Mário Faustino.

Hoje, na coluna de Alexandre Pilati, o relançamento da obra de um dos grandes nomes da poesia brasileiro do século passado. A coluna do Pilati você ouve ao vivo, no bate-papo que eu e ele batemos todas as segundas-feiras, às 16h51, com reprise às terças-feiras, às 11h31, na BandNews FM 90,5 Brasília. Outra vez Mário Faustino. [...]

Hoje, na coluna de Alexandre Pilati, o relançamento da obra de um dos grandes nomes da poesia brasileiro do século passado.

A coluna do Pilati você ouve ao vivo, no bate-papo que eu e ele batemos todas as segundas-feiras, às 16h51, com reprise às terças-feiras, às 11h31, na BandNews FM 90,5 Brasília.

Outra vez Mário Faustino.

 

Por Alexandre Pilati.

 

1.    O livro

A editora Companhia das Letras relançou, em edição da coleção Cia de bolso, um importante livro da poesia brasileira dos anos 50. Trata-se de O homem e sua hora, do poeta e crítico literário piauiense Mário Faustino. Originalmente lançado em 1955, este foi o único livro de Faustino publicado em vida. Nesta edição da Cia das Letras, os poemas do volume original estão unidos a textos esparsos, publicados entre 1948 e 1962, aos chamados “fragmentos poéticos”, escritos entre 1960 e 1961, e a poemas inéditos, estabelecidos e fixados a partir dos originais guardados por seu amigo e interlocutor, o crítico literário Benedito Nunes. Assim, o conjunto é bastante completo e certamente agradará ao leitor de poesia brasileira.

2.    Poeta-crítico de morte trágica

Mário Faustino viveu intensamente de poesia e para poesia durante os breves 32 anos de sua existência. Depois de ter estudado Direito no Norte, em Belém do Pará, Faustino veio para o Rio de Janeiro, onde deliciou-se com a boemia carioca e viveu intensos e proibidos amores, que se transformaram em poemas. No período de 1956 a 1958 criou e dirigiu a página “Poesia-Experiência” no Suplemento Literário do Jornal do Brasil, no Rio de Janeiro.

Essa página semanal provou que, além de ter sido grande poeta, Mário Faustino foi um dos grandes jornalistas literários de seu tempo, comentando, por assim dizer, “ao vivo”, as grandes transformações operadas pelo movimento da Poesia Concreta durante os anos 50. Tudo isso foi interrompido com a morte precoce do poeta-crítico num desastre de avião em 1962. No dia 27 de novembro daquele ano, de madrugada, embarcou num Boeing da Varig com destino à Cidade do México. O avião explodiu após uma escala em Lima, Capital do Peru, e os restos mortais do poeta jamais foram encontrados.

Como crítico, Faustino pode ser considerado um progressista, sempre aberto às inovações e às rupturas propostas por novas modas poéticas. Já como poeta, sua principal característica é o apego à tradição, tanto nos aspectos temáticos quanto formais, utilizando, por exemplo, com grande desenvoltura, a forma clássica do soneto. O crítico Benedito Nunes diz que a poesia de Mário Faustino baseia-se na técnica da “concórdia discorde” que consiste explicitar por meio da linguagem densa da poesia a ambigüidade e a fugacidade da vida.

3.    Um poema

O MUNDO QUE VENCI DEU-ME UM AMOR

O mundo que venci deu-me um amor,

Um troféu perigoso, este cavalo

Carregado de infantes couraçados.

O mundo que venci deu-me um amor

Alado galopando em céus irados,

Por cima de qualquer muro de credo,

Por cima de qualquer fosso de sexo.

O mundo que venci deu-me um amor

Amor feito de insulto e pranto e riso,

Amor que força as portas dos infernos,

Amor que galga o cume ao paraíso.

Amor que dorme e treme. Que desperta

E torna contra mim, e me devora

E me rumina em cantos de vitória…

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