André Giusti - foto: Luana Lleras
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Sobre concursos públicos

Peço perdão se estou mal informado, mas li várias reportagens sobre as novas regras para concursos públicos e não encontrei em nenhuma delas qualquer menção à exigência da publicação de bibliografia nos editais. Já está decidido que será maior o prazo entre a publicação do edital e a prova, e que a participação em fraude [...]

Peço perdão se estou mal informado, mas li várias reportagens sobre as novas regras para concursos públicos e não encontrei em nenhuma delas qualquer menção à exigência da publicação de bibliografia nos editais.

Já está decidido que será maior o prazo entre a publicação do edital e a prova, e que a participação em fraude desclassificará o candidato, o que é, enfim, a oficialização do óbvio. Entretanto, com a nova lei, as organizadoras de concursos públicos poderão continuar formulando questões de provas a partir dos livros que quiserem e bem entenderem – o que é direito delas – sem terem a obrigação de informar quais serão essas obras – o que seria direito dos candidatos -.

Essa exigência talvez não seja importante para os cargos em que a exigência maior são as disciplinas ligadas ao direito, no qual o eixo do estudo é formado pela lei, pela doutrina e pela jurisprudência.

Mas em áreas como comunicação social, por exemplo, a divulgação da bibliografia adotada pela banca traria, certamente, mais equidade à disputa por uma vaga no serviço público.

A todo instante, livros são publicados com diferentes e (pretensas) inovadoras interpretações sobre assuntos inerentes ao universo da comunicação, algumas delas inteiramente distantes da realidade prática do jornalismo e, creio eu, também da publicidade e das relações-públicas.

Alguns anos atrás as bancas organizadoras justificaram a ausência de bibliografia nos editais com o argumento de que isso beneficiaria editoras de livros usados como fonte de estudo. Ora, pior é a desconfiança de que a ausência de bibliografia nos editais possa favorecer determinado grupo de candidatos, especialmente os recém saídos das universidades, sobre quem a banca tem a certeza de que conhece esse e aquele autor, cujos livros foram exaustivamente estudados.

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Comentários (2)

  1. Diego -

    Se, por um lado, as editoras de determinados livros são máquinas de ganhar dinheiro, por outro lado, as organizadoras de concursos se beneficiam da imensidão de concorrentes com preparo capenga (graças à falta de orientação e bibliografia) que vão passar anos fazendo as provas – motivo de faturamento para as empresas que promovem os concursos.

  2. sócio -

    Nossa. Chegamos ao ponto onde o conhecimento é censurado pelo capitalismo e a experiência sobrepujada pela “cuca fresca” dos neófitos.
    Assim o concurso é para concurseiros não para profissionais. Que especialistas teremos no futuro?

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