André Giusti - foto: Luana Lleras
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A cidade existente da inovação com poesia

Não tenho certeza, mas me parece que há uma brisa na literatura nacional soprando na direção de se inovar a forma de escrever um romance. Há autores tentando, e alguns conseguindo manter o interesse do leitor. Caso de José Rezende Jr. em seu recém-lançado A Cidade Inexistente (7Letras). A história aborda um drama silencioso e [...]

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Não tenho certeza, mas me parece que há uma brisa na literatura nacional soprando na direção de se inovar a forma de escrever um romance.

Há autores tentando, e alguns conseguindo manter o interesse do leitor.

Caso de José Rezende Jr. em seu recém-lançado A Cidade Inexistente (7Letras).

A história aborda um drama silencioso e desconhecido do Brasil que vive nas grandes cidades: as pessoas atingidas por barragens, que tiveram que sair, muitas vezes às pressas, do lugar onde viveram durante anos, porque sua história e a de sua família despareceu debaixo das águas de alguma hidrelétrica.

Como inovação, no livro não há, declaradamente, um personagem principal, papel que parece caber à própria cidade afogada.

Personagens se revezam recebendo as luzes principais da narrativa.

Ora um aparece mais do que outro, e logo em seguida se recolhe por algumas páginas, para dar espaço a quem aguardava a vez.

Uma aposta feliz de Rezende, capaz, com essa ousadia, de inclusive abiscoitar outro Jabuti, o que já fez alguns anos atrás.

E o que embala o leitor no vai e vem de cada personagem é a narrativa dotada de extrema sensibilidade humana, com invólucro da mais fina poesia.

Não me consta que Rezende seja poeta, e se de fato não é, conseguiu ser, inovando na forma de escrever um romance.

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