André Giusti - foto: Luana Lleras
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A paz (nas manifestações) é possível

Tanto quanto a estupidez verificada ontem à noite em pontos isolados, perigosa também é a tentativa de, a partir disso, desqualificar a legitimidade do movimento dos últimos dias. Além do vandalismo, persiste a acusação de uma pauta objetiva, como se nosso país não fosse um rosário de mazelas, um mosaico de motivos para se reclamar. [...]

Tanto quanto a estupidez verificada ontem à noite em pontos isolados, perigosa também é a tentativa de, a partir disso, desqualificar a legitimidade do movimento dos últimos dias.

Além do vandalismo, persiste a acusação de uma pauta objetiva, como se nosso país não fosse um rosário de mazelas, um mosaico de motivos para se reclamar.

Dos manifestantes se diz que são filhos da classe média, elite, alunos de bons colégios. Digam-me, então, qual a diferença sócio-econômica desses manifestantes de hoje para aqueles de 1992 que derrubaram o Collor, capitaneados, inclusive, pelo partido que está no poder? E para os de 1984, nas Diretas Já? E em 1968, eram pobres e esfarrapados os participantes da marcha dos 100 mil?

Os dois lados, aquele que governa e vê perseguição até na sombra, e o outro, que, na incompetência de ser oposição – até porque nunca foi – tem a ilusão de que esse povo que brada vai querê-lo de volta no poder, querem passar um sentimento de que é hora de recuar, de não ir mais para as ruas. Porque os vândalos tomaram conta, porque os objetivos perderam razão de ser. Porque está ficando perigoso.

Não obstante a estupidez de ontem, os momentos de paz foram numerosos, pelo que pude observar de vários depoimentos. Ocorre que o mal sempre sobressai, e aí não vou falar em sensacionalismo ou cobertura tendenciosa da imprensa. Vou falar da invigilância do bem. O mal se cria porque o bem se omite.

E é aí que quero chegar, para encerrar.

A paz é fruto também da vigília constante, incansável. Em casa, no trânsito, no trabalho, nas ruas. Nas manifestações.

Há algumas recomendações por aí para impedir o vandalismo, tais como se sentar no asfalto para que a polícia identifique logo os baderneiros. Deve haver outras formas também de impedir que nos vença a nossa própria covardia, como querem os estúpidos, os cínicos, os demagogos.

O que não pode é o recuo diante da boçalidade, da hipocrisia e do cinismo, diante de toda essa podridão secular que, enfim, nos fez ir para as ruas.

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Comentário (1)

  1. Hugo Giusti -

    Boa André!!
    ótima percepção!!
    Outra coisa que vem acontecento e que políticos e aqui no Rio também, o Governador e Prefeito pensam que são donos da Cidade, vendendo patrimonio público aos Eikes da vida e a gente assistindo!! Isso tem que parar!! A coisa e grave!!

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