André Giusti - foto: Luana Lleras
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Andar de fusca, ouvir disco de vinil

Espero nunca precisar conversar por mais de cinco minutos com quem tenha chegado na fila de madrugada para comprar o último modelo do famoso smartphone. Uma pessoa assim deve dar um soninho… Mas mesmo que eu não chegue a esses tolos exageros, confesso que a tecnologia ganha espaço maior a cada dia em minha vida, [...]

Espero nunca precisar conversar por mais de cinco minutos com quem tenha chegado na fila de madrugada para comprar o último modelo do famoso smartphone. Uma pessoa assim deve dar um soninho…

Mas mesmo que eu não chegue a esses tolos exageros, confesso que a tecnologia ganha espaço maior a cada dia em minha vida, e isso a tem tornado não apenas mais prática, mas também mais limpa e menos pesada, com menos volume para carregar.

É o caso dos jornais.

Abri mão da assinatura física em favor da digital, e jamais pensei que diria isso: ler jornal pela internet é bem melhor.

Foi-se a figura melancólica do sujeito com o jornal debaixo do braço a caminho do ponto do ônibus, um tipo quase rodriguiano. Entra em cena o cara hitech com óculos de leitura, raspando o indicador na tela de um tablete. Este último tem as mãos mais livres e limpas, a exemplo das próprias roupas.

É o mesmo que 20 anos atrás começou a dar ou vender os discos de vinil, ou mesmo transformar o fundo de algum armário em museu para os mais representativos. E hoje, os CD’s, que os substituíram, já deram lugar aos downloads nas lojas virtuais de música.

Há quem diga que a qualidade sonora se perdeu ou foi comprometida na era digital. Como meus ouvidos são moucos, prefiro a praticidade de um aparelhinho que fica no meu bolso e que guarda tudo aquilo que até os anos 90 eu guardava em uma estante que ocupava quase a metade do quarto.

Jornal, vinil e afins são como o fusca, que, aliás, de uns anos pra cá vem sendo procurado por um pessoal dito descolado, que nem era nascido quando o carrinho ainda saía do forno no ABC. É ótimo para dizer que tivemos, que lembramos de um que nossos pais tiveram, ou no máximo para uma voltinha no fim de semana, inclusive no meu caso, apaixonado por carros antigos.

Para o dia a dia, o bom é a perna esquerda livre da embreagem.

E as mãos limpas, sem tinta de impressão.

E a casa com menos estantes e mais espaço pra se andar.

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Comentários (2)

  1. Denise Giusti -

    Eu vejo sempre os jornais digitais. Confesso ainda gosto pelo menoss às sextas-feiras de comprar o jornal e ir lendo no ônibus na ida pela mnhã ao trabalho. Como os livros, os digitais não substitui o de papel, gosto do cheiro e de pegar com a mão, amigo de todas as horas.

  2. Hugo J.A. Giusti -

    Legal a praticidade!! Mas gosto também da poesia… Ia esquecendo Andre, hoje esta sendo lançado na Inglaterra a coleção do Beatles toda em Vinil.

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