André Giusti - foto: Luana Lleras
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Cultura e sabedoria

Para exercer determinadas profissões em certos patamares, talvez não seja necessário apenas a qualificação técnica, intelectual, universitária. Nem unicamente a experiência na carreira. Há ofícios na sociedade que requerem experiência de vida. O jornalismo é um deles; a medicina, certamente, outro. Parece-me que a área jurídica – seja na defesa, acusação ou julgamento – possui [...]

Para exercer determinadas profissões em certos patamares, talvez não seja necessário apenas a qualificação técnica, intelectual, universitária. Nem unicamente a experiência na carreira.

Há ofícios na sociedade que requerem experiência de vida. O jornalismo é um deles; a medicina, certamente, outro. Parece-me que a área jurídica – seja na defesa, acusação ou julgamento – possui igualmente essa exigência.

Certa mãe solteira reivindicou aumento de pensão alimentícia por causa dos gastos com educação e saúde e ouviu do juiz que o estado oferece escolas e hospitais de graça, portanto não deveria ser exigido do pai da criança maior sacrifício financeiro.

Como boa mãe, ela respondeu que passaria fome, mas o filho não baixaria na fila de um hospital público.

Penso que ainda cabia a ela perguntar ao meritíssimo se ele entregaria seu pimpolho à sorte do ensino público e suas intermináveis temporadas de greve, ou aos açougues caóticos gerenciados pelos governos, onde se morre feito moscas.

Em outro caso, um pai separado tentava, na Justiça, manter o acordo verbal feito com a ex-mulher permitindo que ele ficasse , além dos fins de semana legais, uma semana inteira no mês com a filha.

A ex voltou atrás no acordo e ganhou o apoio da promotora, que do alto do seus anos de especialização acadêmica e vivência de tribunais, alegou que o pai não precisa ter contato com a filha para dar os cuidados que lhe são obrigação e direito, que isso pode ser feito à distância.

Não fosse a visão míope sobre uma relação pai e filha, a postura da promotora já seria um passo na contramão da guarda compartilhada, que segundo especialistas amortece na cabeça das crianças o baque que sempre é a separação dos pais.

Quanto mais um profissional se qualifica, mais condições terá de prestar um bom serviço à sociedade. Tanto melhor será se aprender também com a vida, porque terá, além da cultura, sabedoria para aplicar ao trabalho.

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Comentários (2)

  1. raquel -

    Acho que em qualquer profissão está faltando é sensibilidade, solidariedade e preparo emocional. Parabéns pelo texto!

  2. Denise Giusti -

    Concordo André com seu texto! Deveria chegar a algum jornal para que mais pessoas tivessem oportunidade de ler.
    Parábéns!

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