André Giusti - foto: Luana Lleras
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Dica

Degeneração, novo livro de Fernando Bonassi, é para aqueles que não olham o Brasil com complacência. O romance se passa nos dias que antecedem o segundo turno da eleição de 2018, e só isso garantiria uma atmosfera pesada e sombria ao livro, mas a trama transcorre, basicamente, entre a recepção e o necrotério de um [...]

Degeneração, novo livro de Fernando Bonassi, é para aqueles que não olham o Brasil com complacência.

O romance se passa nos dias que antecedem o segundo turno da eleição de 2018, e só isso garantiria uma atmosfera pesada e sombria ao livro, mas a trama transcorre, basicamente, entre a recepção e o necrotério de um hospital decadente, cenário perfeito para o pesadelo que a maioria optou começar a viver naquele domingo de outubro.

No diálogo de um filho com o pai morto, o autor usa as mazelas de família para destrinchar a miséria moral da classe média brasileira descendente de imigrantes europeus.

Uma classe média (bem média mesmo) que enche a boca, bate no peito e se arvora de um sobrenome italiano, por exemplo, como se este fosse a marca de uma dinastia e não apenas um Silva importado, cujos patriarcas vieram parar nos trópicos por causa da fome e da miséria.

O título – Degeneração – é até condescendente, pois só se degenera o que algum dia foi bom, e o Brasil exposto nas 287 páginas do livro de Fernando Bonassi é um Brasil atrofiado entre a burocracia, a corrupção, o racismo e preconceitos gerais e a violência do estado policial, eleitor do pesadelo iniciado em 2018.

Se todo esse post tivesse que ser apenas uma frase, certamente bastaria escrever que Degeneração é um livro sobre a merda que esse país é e sobre a merda que esse país sempre foi.

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