André Giusti - foto: Luana Lleras
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Emmanuelle e a Sala Especial

Quem passa dos 40 começa a ver tragados pelo ostracismo ou pela morte os ícones de uma geração. A minha, por exemplo, acaba de enterrar Sylvia Kristel. Kristel vai para a eternidade como Emanuelle, personagem vista e revista durante anos a fio em todo o mundo por mais de 350 milhões de pessoas. Mas eu [...]

Quem passa dos 40 começa a ver tragados pelo ostracismo ou pela morte os ícones de uma geração. A minha, por exemplo, acaba de enterrar Sylvia Kristel.

Kristel vai para a eternidade como Emanuelle, personagem vista e revista durante anos a fio em todo o mundo por mais de 350 milhões de pessoas.

Mas eu não fui uma delas.

Não tinha idade sequer para passar na calçada de um cinema que estivesse com o filme em cartaz. Na época, a censura por idade era rigorosa. Na entrada, pedia-se a caderneta do colégio se houvesse desconfiança de que um moleque tentava assistir a um filme considerado impróprio para sua idade.

Também não havia, é claro, por óbvios motivos tecno-históricos, como piratear ou baixar um filme na internet.

Sylvia Kristel morre e eu chego aos 44 sem nunca ter visto Emanuelle. Mas via Sala Especial, que a finada TVS, mãe do SBT, exibia no início da madrugada para o deleite de pirralhos de onze ou doze anos. É claro que a maioria dos pais não deixava a molecada ver. A tática nesses casos era simples: esperar a família toda ir dormir, ir pra sala devagarinho e ligar a TV sem som.

Nos filmes ditos “eróticos” da Sala Especial, um par de seios, muitas vezes com sutiã, era o máximo de delícia permitido aos espectadores.

Desconfio que Emanuelle talvez não tenha ido tão além assim em sua ousadia erótica, sendo mesmo algo pueril perto das novelas atuais que, em algumas vezes, enrubescem até vividos homens de 40 e tantos anos.

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