André Giusti - foto: Luana Lleras
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Eu, minhas filhas e o direito das mulheres

Homem branco, de classe média, criado sob os ditames machistas, nunca me preocupei com os direitos das mulheres. Até ser pai de três meninas. Não me agrada pagar a educação delas e saber que no futuro elas poderão ganhar menos do que os colegas homens por causa de uma estupidez cultural que é quase uma [...]

Homem branco, de classe média, criado sob os ditames machistas, nunca me preocupei com os direitos das mulheres.

Até ser pai de três meninas.

Não me agrada pagar a educação delas e saber que no futuro elas poderão ganhar menos do que os colegas homens por causa de uma estupidez cultural que é quase uma cláusula trabalhista.

A tal meritocracia, defendida por quem é contra as cotas raciais nas universidades, deveria ser instrumento para igualar os sexos no mercado de trabalho. Pena que os homens que a defendem no primeiro caso se omitem no segundo.

Mas minha preocupação de pai com a questão dos direitos das mulheres não fica, claro, restrito ao campo do trabalho. Porque temo que uma delas seja vítima de violência de marido ou namorado, preparo-as para entender que a dignidade é a mãe do direito.

Desde já cultivo naquelas cabecinhas que não aceitem, de forma alguma, gritos e xingamentos de algum homem, seja ele quem for, tenham por ele amor, paixão ou qualquer outra espécie de atração ou sentimento. A mulher que admite isso abre a porta para a violência física, e será, possivelmente, presa fácil do cínico arrependimento do homem.

A dignidade da mulher no casamento, namoro, noivado e afins certamente é um de seus principais direitos, e talvez passe pelo conceito que ela terá dessa relação. Procuro ser claro com minhas filhas: a felicidade de vocês não dependerá de marido ou espécies semelhantes. A mulher que tem essa consciência fica menos vulnerável à agressão física e psicológica, e não aceitará como normal toda sorte de humilhação.

Essa coisa de se preocupar com direito das mulheres me faz prepará-las para não serem ‘mulherzinhas’. Quero minhas filhas ‘mulher-macho’, aquela que enfrenta a vida de frente sem homem de escudo, pronta a mandar às favas qualquer um que lhe ultraje a dignidade, seja nos campos material, sentimental ou psicológico.

Alguns podem chamar isso de consciência. E até é. Mas é, antes de tudo, amor de pai.

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Comentários (4)

  1. Denise Giusti -

    Elas já são guerreiras, está no sangue!

  2. Henrique -

    Lembro de ouvir que, em mulher não se bate, nem com uma flor. O que de certo modo nos remetia a, um certo pensamento machista, mais pela fragilidade da mulher, do que pelo ato de violência para com elas. Mas ficou de alguma forma com exemplos fortes e claros de meu pai. Talvez a luta de equiparação de direitos que travam as mulheres esteja confundindo, os já, empedernidos machistas. E, estes, já nem se podem chamar de machistas, pois são mesmo, fascistas desconectados da realidade. Pois atentam contra as flores e as mulheres.

  3. Marcelo Guido -

    Como sou pai de duas, essa é minha preocupação também. Mas pra gente que trabalha diretamente com o jornalismo, as notícias de violência contra as mulheres chegam de todos os lados, mesmo contra aquelas que a gente sabe serem esclarecidas, conscientes e até guerreiras. O jeito é fazer a nossa parte e pedir a Deus uma ajudinha.

  4. Michelle Mattos -

    Mandou benzaço, André! Elas podem até ser suas princesas, mas fora de casa é melhor serem guerreiras. :)

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