André Giusti - foto: Luana Lleras
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Não pus no mundo pedaços de picanha

Confesso que já achei graça da tal da piadinha “passou de consumidor a fornecedor”, aquela que se faz com o sujeito que virou pai de menina. Ou meninas, no meu caso. E foi aí que deixei de achar graça. Ao olhar minhas filhas em crescimento, parece-me extremamente grotesco e machista o infeliz gracejo. Não coloquei [...]

Confesso que já achei graça da tal da piadinha “passou de consumidor a fornecedor”, aquela que se faz com o sujeito que virou pai de menina. Ou meninas, no meu caso.

E foi aí que deixei de achar graça.

Ao olhar minhas filhas em crescimento, parece-me extremamente grotesco e machista o infeliz gracejo.

www.jangadamt.com.br

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Não coloquei no mundo peças de picanha, mas sim seres humanos, dotados de inteligência, sensibilidade, sentimentos.

E hoje também sei que jamais me deitei com algum corte de alcatra.

Deitei e deito com mulheres. Que não são produtos. São pessoas, ricas em emoções.

Aos pais de meninas, como eu, cabe repetir, exaustivamente, para elas: vocês não estão em exibição no balcão do açougue.

E aos pais de meninos talvez não seja demais lembrar: eduque-os não para comer um bife, mas para cuidar de uma flor.

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Comentários (2)

  1. Andrea Drummond Couto -

    Muito bom, Giusti. Eduquei meu filho para tratar as mulheres sempre com muito respeito. Hoje ele é pai de uma menina, a quem educa também nos princípios anti-machistas. Sempre considerei aquela piada como extremamente de mau gosto.

  2. Ana Maria -

    Muito bom, André! Sou mãe de menino e procuro educá-lo para ser um homem que eu gostaria que uma filha minha escolhesse para companheiro, caso eu tivesse tudo uma !tratamento que eu gostaria que um homem tivesse com uma filha, caso eu tivesse tido uma!

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