André Giusti - foto: Luana Lleras
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O Bem amado

Fui assistir sem muita expectativa e até sem tanta vontade – queria ter ido ver o filme do Woody Allen – ao O Bem Amado. Esses filmes da Globo Filmes, feitos para serem exibidos na tela quente dois anos depois de estrearem na telona, sempre me desanimam um pouco. Mas O Bem Amado merece ser [...]

Fui assistir sem muita expectativa e até sem tanta vontade – queria ter ido ver o filme do Woody Allen – ao O Bem Amado. Esses filmes da Globo Filmes, feitos para serem exibidos na tela quente dois anos depois de estrearem na telona, sempre me desanimam um pouco.

Mas O Bem Amado merece ser visto.

A primeira razão para se assistir ao O Bem Amado são as interpretações. Marco Nanini não nos faz sentir saudades de Paulo Gracindo, ainda mais quando contracena com as cajazeiras, encarnadas nessa versão por Zezé Polessa, Andréa  Beltrão e a ótima Drica Moraes. José Wilker compôs um eca Diabo diferente do concebido por Lima Duarte na época da TV. O de Wilker é soturno e dá calafrios quando fala, como aliás cabe a um assassino. O de Lima Duarte espalhafatoso, divertido, mais adequado ao formado televisivo.

Confesso que achei o talento de Matheus Nachtergaele meio perdido em um tanto burocrático Dirceu Borboleta. Nesse caso, dá nostalgia da versão anterior, de Emiliano Queiroz, com seu impagável “óóóóóóó coroneeeeel!!!!” . O mesmo vale para o Nesinho do Jegue, repaginado com o nome de Seu Neném, mas que deixou no passado o inesquecível “Viva Odorico!” ou “Morra Odorico!”,  dependendo se estivesse ou não bêbado.

A segunda razão para se assistir ao O Bem Amado é a preservação do texto de Dias Gomes em boa parte do tempo. Isso, além de nos matar de rir, nos faz pensar com melancolia na pobreza dos textos da teledramaturgia atual. Enquanto no filme Odorico Paraguaçu brada seu bordão “ É com a alma lavada e enxaguada “, temos que ouvir nas novelas uma repetição inesgotável de expressões já encardidas na vida real, tais como “vamos combinar“ e “ninguém merece”. Pensando bem, ninguém merece mesmo.

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Comentários (4)

  1. Denise Giusti -

    Esqueci de dizer se o filme do Woody Allen é “Tudo Pode dar certo”, não deixem de ver é imperdível!!!

  2. Denise Giusti -

    Já estava programada a assistir no próximo final de semana, agora com certeza não deixarei de ver. Concordo no que diz respeito as novelas de hoje é uma pobreza não só dos diálogos como também das tramas, fora que que há ensinamentos para o mal dando ideias a pessoas que de repente já possuem uma ídole ruim, como exemplo a novela das nove que ensina as pessoas a sacanear e puxar o tapete das outras fora a questão que tratam o casamento, pois de uma hora para outra os casais resolvem casar e tudo bem não deu certo separa, só mau exemplo para os jovens principalmente.

  3. angela giorgio -

    Olá André, até me deu vontade de assistir!! Vou conferir… mas tbem,em princ’pio. sou mais o Woody Allen! rsrsrs…

  4. HUGO GIUSTI -

    Concordo com você André. Atualmente é muito cansativo os diálogos nas novelas. É sempre as mesmas coisas. A falta de criatividade é imprecionante.

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