André Giusti - foto: Luana Lleras
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O ufanismo gelado da Globo

Ufanismo é algo para mim irritante. Quando com fins comerciais, então, tanto pior. A não ser pelas piruetas dos patinadores no gelo, impensáveis para nós terráqueos, acompanho os Jogos Olímpicos de Inverno com tanto interesse quanto acompanho o movimento da bolsa de Taiwan. Para promover a competição e dar lucro a seus patrocinadores, a TV [...]

Ufanismo é algo para mim irritante.

Quando com fins comerciais, então, tanto pior.

A não ser pelas piruetas dos patinadores no gelo, impensáveis para nós terráqueos, acompanho os Jogos Olímpicos de Inverno com tanto interesse quanto acompanho o movimento da bolsa de Taiwan.

Para promover a competição e dar lucro a seus patrocinadores, a TV Globo leva ao ar uma reportagem-exaltação (gênero bem desenvolvido pela emissora) sobre uma patinadora brasileira. Mas, peraí, lá pelas tantas o repórter, sempre com aquele texto obrigatoriamente “simpático, divertido e descolado” quando o assunto é esporte, informa que ela, na verdade, é americana e filha de uma brasileira com um americano.

Na entrevista, o sotaque tipo gringo pedindo informação em Copacabana confirma que a ligação da atleta com o Brasil não justifica que fiquemos assim tão comovidos pelo seu mau desempenho na prova, como a reportagem e seu texto “tocante e sentido” deseja que fiquemos.

Pra encerrar o boletim sobre os Jogos de Inverno, o mesmo repórter põe nas alturas uma dupla brasileira que disputou a prova no trenó. E quando já imaginamos que o desempenho da dupla derreteu o gelo na Rússia, o repórter informa que ela foi a última colocada.

Promover noticiosamente um evento é justo. Respeitar o atleta, independentemente do resultado, é o correto.

Mas que não se falseie a realidade, em respeito ao telespectador.

Tip of the Iceberg

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